quarta-feira, novembro 05, 2008

O velório

A curiosidade do ancião era tanta que um dia ele resolveu fingir de morto só para ter uma idéia da sua popularidade enquanto vivo. Sabedor de que os índios Terepuias usavam uma espécie de poção para dormir por um dia, a fim de atrair os espíritos dos seus ancestrais, Pafúncio foi até a comunidade namuncurá buscar o tal remédio. Dia seguinte, já estava de volta com o milagroso chá. Com a primeira parte da estratégia pronta, passou para a segunda que consistia em fingir-se de muito doente. Desse modo enganou, também, até a própria família, que sem outra alternativa providenciou a presença de um médico da região para periciar e emitir o laudo cadavérico e assinar o competente óbito.
Como a "morte" aconteceu de madrugada, a família resolveu sepultá-lo naquele mesmo dia; tempo insusuficiente para ele "ressucitar" bem informado sobre as condolências dos verdadeiros amigos do peito...
O infeliz esqueceu-se de que o efeito da poção era de um dia e que o enterro seria feito com apenas treze horas de antecedência após a ingestão do sonífero. Depois da cerimônia fúnebre, o coitado ainda continuava dormindo como um urso hibernado.Terminado o efeito do remédio ele, de posse das preciosas informações contidas no seu mini-gravador, tentou sair do caixão que ja começava a sufocá-lo. Desesperado, ao perceber o tamanho da asneira em que havia se metido, começou a espernear e a gritar por socorro. Para seu alívio, o seu pedido foi prontamente atendido. Era uma voz cavernosa que lhe pedia paciência. Pois a sua libertação estava próxima; tão próxima que ele ainda pode ver e ouvir o gargalhar da própria morte!

segunda-feira, outubro 20, 2008

O Vulcão

A vila dorme no sopé do grande monte
Tão silencioso como a neve no seu pico
Por onde gases eparzindo pelo bico
Formam fagulhas que iluminam o horizonte

Nem mesmo hoje com tanta parafernália
A ciência falha ao impedir o cataclismo
Proveniente de um inesperado cismo
A vomitar magma-rubra qual mortalha

Ferventes lavas a fluir das profundezas
Devasta tudo pela força da explosão
Deixando a vila apavorada e indefesa

Sem chance alguma do inferno escapar
Da magma-rubra, rio de desruição,
Maldita praga proveniente do vulcão!!!

sábado, outubro 04, 2008

O queijo da vovó Nilza

Recomendado pelo seu médico, devido uma avançada osteoporose, vovó Nilza passou a alimentar-se de queijo no desjejum diário.

Para não ter o trabalho de comprá-lo aos pedaços, diariamente, resolveu levá-lo inteiro. À maneira que achou para deixá-lo mais aromatizado, foi colocá-lo fora da geladeira. Obviamente, ela não se lembrou que tal procedimento aguçaria o exigente paladar dos ratos da vizinhança...

Não demorou muito para aquele cheiro característico levasse uma dúzia de roedores junto à porta da sua casa. Desnecessário é dizer que nessa altura da refrega, ela já estava morrendo de medo.

Em vista disso, sem mais demora,telefonou para a Agência Miau, pedindo socorro. Reconhecida por sua eficiência, dento de cinco minutos lá estava à disposição da apavorada vovó, um enorme gatão preto, olhos vermelhos e garras de pantera africana, que logo assumiu a incumbência de acabar com aquele fuzuê. É obvio que só pela presença do brutamontes foi o suficiente para os roedores sumirem do mapa! Porém, dois ratinhos que moravam no porão ao lado da casa da vovó, Nilza, não suportando ver o vexame pelo qual passaram os seus acovardados irmãos em queijo, resolveram acabar com a carreira do bichano cheio de panca.

Nesse ínterim, mister miau, com absoluta aprovação da sua patroa, mostrou-lhe um desenho infalível, à prova de camundongo. Contudo, para seu azar, jogou a cópia do desenho pela janela indo parar justamente defronte o porão dos ratinhos. Após estudar o plano que caiu em suas mãos em boa hora, saíram em busca de uma tesoura, tão necessária para executar o serviço. O plano engenhoso da armadilha era o seguinte: O espertalhão dormiria atrás da geladeira em cujo fecho da porta estava ligada a terrível armadilha, que conssistia num simples cordão amamarrado também no seu braço. Se alguém tentasse abrir a porta, o cordão esticaria e ele acordaria pelo puxão.... Todavia, o gatuno se esqueceu que os ratinhos tinham achado uma tesoura bem afiada para cortar o maledeto cordão. Dia seguinte, após dormir um sono tranqüilo e reparador, vovó Nilza pôs a mesa e chamou o folgado para lhe fazer companhia. Antes, porém, após elogiá-lo pelo sucesso do plano, mandou-lhe trazer o queijo.

Mais rápido que pôde, desamarrou o cordão do pulso e abriu a geladeira. Pasmo, olhar estático como que hipnotizado diante do que via, assim como a sua incrédula patroa, só acordou com uma baita vassourada no lombo! Perto daí , os ratinhos, empanturrados de queijo, mal podiam rir ao ver o desajeitado paspalhão a capengar na chuva; e ainda por cima ouvindo, mais alto do que o trovão, a voz da vovó Nilza, amaldiçoando-o até a sua última geração!

terça-feira, setembro 16, 2008

O Recruta Julinho

Após a quarentena, começa o período de formação, no qual o soldado recruta participa da primeira marcha de oito quilômetros. Ao completar metade da marcha, isto é, quatro quilômetros, há uma breve parada para que todos possam a reajustar os equipamentos, e as meias para se evitar as bolhas que diminuem a eficiência quanto ao rendimento da tropa.

Estava para terminar os dez minutos de descanso quando o comandante da companhia, capitão Bruno, determinou que um dos recrutas cumprisse uma rápida missão. Um deles se apresentou rapidamente como voluntário.

_ Vê aquela porteira, bem à esquerda do bosque?
_ Sim, senhor, meu Capitão.
_ Pois bem, vai até lá (coloca o seu cronômetro no pulso do recruta) e anota o tempo. Não se esqueça da cadência de cento e vinte passos por minuto; e confirma o tempo, também, na volta.
O entusiasmado do recruta, sob os olhares de inveja, dos companheiros, estufou o peito, levou a mão direita junto à ponta do capacete, prestando-lhe a respeitosa continência, e gritou: _ Sim, Senhor, meu Capitão!
Cadência normal, cento e vinte passos por minuto, olhos fixos no relógio, lá vai Julinho cumprindo com fidelidade sua missão.
Ao chegar junto â porteira, conferiu o tempo: cinco minutos, exatamente! Obviamente, o tempo seria o mesmo na volta. Bastaria, apenas, manter a mesma cadência.

E foi o que fez, até certo ponto do trajeto. De repente, não se sabe como e nem porquê, uma vaca prenhe, chifres ameaçadores, saiu do bosque e pô-se a perseguir o recruta, ainda com os olhos cravados nos ponteiros do relógio! Só deu-se conta do que estava acontecendo, devido à gritaria da soldadesca: – Corre, olhe a vaca!

O azarado soldado, ao ver a vaca soltando chispas pelas ventas, correu mais do que as próprias pernas, estatelando-se de bruços no meio dos companheiros.

Passado alguns minutos, o comandante que estava nas proximidades, ao ouvir aquela algazarra de gozação, voltou para ver o que estava acontecendo e deparou-se com o recruta, de bruços, em meio à soldadesca, tentando vomitar os bofes pra fora da boca.
O capitão, apenas ignorou o fato insólito, e foi direto ao assunto principal:
- E daí, soldado, qual foi o resultado?
Julinho, ainda morto de canseira e sem forças para se recompor, apenas respondeu:- Com vaca ou sem va... – desmaiando em seguida...

domingo, setembro 07, 2008

Isaura

Por amor ou por pirraça
Cuca cheia de cachaça
Pus Isaura pra correr
Só mais tarde percebi
Onde foi que me meti
Quando o juízo recobrei.

Até lulu meu cãozinho
E o papagaio lourinho
Me abandonaram também
Em protesto à besteira
Que aprontei na sexta feira
Por ciúme do meu bem

Tudo se paga no mundo
Minha Isaura e o Raimundo
Vão, agora, se casar.
Enquanto, desapontado
Vivo aqui, acabrunhado
Sem um ombro pra chorar!

Troviscando

Dia dos pais é saudades
Tristeza, dor, condolência
É o clamor da orfandade
Pranteando à eterna ausência.

Quero homenagear-te ó pai
Neste dia inesquecível
Sempre te louvando mais
Muito mais do que é possível.

Duas coisas não desejo
Nem pra mim, nem pra ninguém
Ser amado sem um beijo
E tratado com desdém.

O filho que tens no ventre
Carece do teu carinho
De outra forma nem tentes
Mais tarde dar-lhe um caminho.

Se o nosso pensamento
Tivesse som de se ouvir
Garanto que a falsidade
Deixaria de existir.

Poetas conto nos dedos
Somente das duas mãos
Os demais, puro arremedo
Dos vates de expressão.

domingo, abril 13, 2008

Mirian

Emoção e expectativa são paralelas que ao final se encontram!
Obviamente, se completam nos escâmbios da vida.
Não importa quantas vezes as experimentamos.
A intensidade é cada vez maior, tanto na emoção quanto na expectiva.
Exemplo : VOCÊ!
Sim, você veio acrescentar um elo a mais em nossa abençoada família, dentre outros que vieram completar a corrente de ouro, presente de Deus.
Mirian,
Insubstituível princesa,
Razão da nossa felicidade,
Irradiante luz,
Amor infinito
Nascido das gotas de lágrimas divinais...

Beijos da sua orgulhosa família.

domingo, abril 06, 2008

Hino à Santos

Lá do alto do Monte Serrat
Meu olhar encantado reluz
Pasmo pela beleza que há
Sob o manto protetor da cruz
D’onde ouço as ondas do mar
Marulhando canções de louvor
Como eu que te quero saudar
Com carinho, alegria e amor:

Tu és, de Brás Cubas, obra prima
Do patriarca Andrada, a paixão
Do povo embevecido, o carisma
Dos filhos teus, bondoso coração

Ó Santos, patrimônio da moral
Da arte, da cultura e do civismo
Morrer quero em teu seio fraternal
Se for preciso, com patriotismo

Tua orla praiana, morena
Com jardins de fragância sem par
E os batéis na baia serena
São convites p’ra gente se amar...

À tardinha, raiando o sol
Se despede da lua faceira
Propiciando o mais lindo arrebol
Sobre ti minha flor brasileira!

Recordar é viver!

Sempre que estou só, em especial, na hora de dormir, fecho os olhos e deixo a mente divagar a esmo, à espera de um sono tranqüilo e reparador!
Por incrível que possa parecer, quase todas as noites vem à minha mente a sua imagem, em primeiro plano! Então, a vejo pequenina, qual bonequinha de porcelana, a dormitar ao meu lado, com a inseparável chupeta a estalar a cada sorvo ávido de um nada que nunca vem...
Acolá, a vejo no quintal, dentro de um pneu, esforçando-se para sair, entre gemidos e berros...
E, de outra feita, calçada nos meus próprios coturnos, a chorar, sem poder mover um passo, pelo peso dos mesmos; maluquice de um pai que não tinha outra coisa para fazer!...
Ah, que saudades daquele tempo que não volta mais!
Em compensação, hoje, abro os olhos e vejo, à minha frente, uma linda jovem, finamente educada, feliz e dona dos seus próprios atos.
O tempo é um eterno presente. Ele não passa, nós é que passamos por ele. Obviamente, devo chegar primeiro ao final da estrada, dependendo da vontade Dele. Porém, querida, o que importa é que de alguma forma ali estarei ansioso à sua espera para recomeçarmos nossa inacabada jornada através dos tempos!

Adoro-te, paixão da minha vida!
(Seu amado pai)

domingo, dezembro 16, 2007

Lágrimas de mãe

Finalmente, a jovem donzela sente n'alma a verdadeira realização de um acalentado sonho: a concepção de um filho.
Ali , na cama de parturiente, a futura mãezinha respira profunda e candenciadamente à espera ansiosa do que virá.
Nesse instante, alheio a quse tudo, só tem ouvidos para um tênue vagido que logo deverá ecoar como um raio de esperaça, superando até mesmo o bramir dos mares revoltos, sob o fragor medonho dos tufões arrazadores.
Eia, universo, caluda a tudo o que possa chiar! Eis , então, que ela ouve com nitidez o vagido daquele abençoado Ser, agora de borco sobre o seu colo arfante; os delicados dedos tateiam-lhe os úmidos cabelos, num carinhoso e reconfortante cafuné. Olhos marejados de lágrimas trêmulas, atestam-lhe com louvor, indiscritível felicidade!
Que não se culpe o tempo unipresente e imensurável. Nós é que através de sucessivas etatapas tentamos conquistá-lo.
O azáfama do cotidiano fez com que, apesar de tudo, a jovem criatura acompanhasse com desvelo, o crescimento sobre os olhos daquela criança, agora sem o pranteado pai. Dotado de uma compleição atlética invejável, cabelos loiros, rebeldes, sobre oa olhos cor do céu, fez dele um belo jovem talhado para o sucesso. Tempos depois, já estava sendo contratado para desfilar como modelo num dos principais magazines paulista. Porém, os percalços da vida fê-lo odiar a pobreza e desprezar aquela que o gerou. Hoje, tendo como compaheira a solidão, a frágil mãezinha deambula sem rumo pelas ruas da ciidade. Tartamudeando, tenta mostrar, a quem queira acreditar, o retrato amarelecido do filho ausente. Os passantes têm pressa; nem ligam. Mas ela sim. Satisfeita consigo mesma, apesar da decepção, repõe na bolsinha o retrato que um dia lhe serviu de lenitivo, mas que agora é motivo de tantas lágrimas.

quarta-feira, junho 13, 2007

Amor Platônico

TE AMO TANTO, TU NÃO IMAGINAS COMO
PERTO DE TI MINH'ALMA LOUCA SE EXTASIA
POR ONDE QUEIRA QUE TU VÁS EU ME ASSOMO
ENFEITIÇADO DE PAIXÃO E ALEGRIA

NÃO HÁ DISTÃNCIA PARA O MEU PENSAMENTO
QUE A MIM ME TRAZ À LEMBRANÇA TUA IMAGEM
OH MINHA AMADA, RADIANTE MONUMENTO
TÁO VEROSSÍMEL APESAR DE SER MIRAGEM...

QUERO QUE SAIBAS DESSA MANEIRA INSOSSA
DE VENERAR-TE OCULTAMENTE, SEM ALARDE
DESDE MOMENTO QUE TE VI, MENINA-MOÇA
SEM QUE ESSE JEITO DE QUERER FOSSE COVARDE

EM NÃO BASTANDO OS GESTOS VAGOS DOS MEUS ATOS
NO COTIDIANO ATRAVÉS DE LINDOS ANOS
QUERO QUE O TEMPO SE ENCARREGUE DESSES FATOS
PARA MOSTRAR-TE QUE ESSE AMOR NÃO FOI PROFANO

E MESMO ASSIM SE ISSO TUDO FÔRA POUCO
PARA QUE OUÇAS O CLAMOR DOS ROGOS MEUS
FAÇAS DE CONTA QUE TE AMOU UM POBRE LOUCO
E QUE AOS POUCOS TE ADORANDO PERECEU!

sexta-feira, outubro 27, 2006

SEMENTINHA

Como jardineiro, por opção, sempre soube zelar pelo nosso lindo canteiro de flores, até vê-las crescerem viçosas e perfumadas. Eram apenas três, que valiam por um floral. Não obstante o enorme trabalho que nos davam, certo dia tivemos que cuidar de mais uma?!
Acredito, foi um presente divino! Quando soou a campainha fui atender à porta. Era uma jovem que trazia no olhar mortiço, um quê de velado desespero... Sem rodeios, simplesmente estendeu-me as mãozinhas, em conchas, e depositou nas minhas uma minúscula caixinha. Naquele momento, tão solene para ela, uma lágrima de agradecimento marcou-lhe a face padecida, enquanto, cabisbaixo, se afastava com suspiros entrecortados...
Ainda meio encabulado pelo inusitado fato, sentei-me no sofá e cuidadosamente abri a caixinha. Dentro havia um bilhete envolto numa semente. Retirei e li o bilhetinho: ”Esta sementinha, há de lhe dar muita alegria. Deus lhe pague”. A partir daquele momento, plantei-a no canteiro do meu coração, junto aos demais.
Hoje, esse abençoado quarteto é a razão da nossa existência. Como velho e alquebrado jardineiro, deixei de semear. Mas, nunca, nunca de exalar o inebriante perfume desses queridos anjinhos.
MORITINHA, sementinha que Deus nos enviou por último, OBRIGADO POR TUDO!!!

segunda-feira, agosto 28, 2006

TALVEZ....

Rostinhos juntos, espremidos, numa só janela da sala do apartamento; olhares curiosos com o que se passava lá embaixo, no pátio interno da quadra 209 sul, era o prenúncio de contumaz inquirição: “venha ver nossos amiguinhos, papai... Lá vão eles, todos os fins de semana, passar o dia nos clubes” E rematavam “ E nós, papai, por que não vamos, também?
Eu havia sido transferido para Brasília, capital federal, há pouco tempo, e não me tinha dado conta de que o Clube do Exército era uma das poucas opção de lazer para nós militares! Alguns companheiros de farda tinham seus próprios apartamentos e chácaras, adquiridos há algum tempo, com certas facilidades, como prêmio por terem sido pioneiros do local...
Todas as segundas-feiras, nos folguedos do recreio, os alunos comentavam sobre as peripécias do fim de semana, para martírio dos meus filhos que tudo ouvia com uma pontinha de inveja no coração!
Na verdade, eles não entendiam o porquê da nossa garagem estar sendo ocupada pelo carro do vizinho, que tinha dois, enquanto nós não tínhamos nenhum! E sempre que me questionavam a respeito, eu simplesmente respondia com um evasivo “talvez”.
O fato é que eu não podia dar esperanças por algo que no momento era absolutamente impossível. O “talvez” agia como uma válvula de escape às minhas respostas evasivas.

Era como se eu afirmasse que um dia chegaria a nossa vez de conseguirmos um lugarzinho ao sol...
Eu e minha mulher, jamais queríamos que nossas crianças soubessem da dificuldade financeira pela qual passávamos.
Ao saírem da janela, acabrunhados e cabisbaixos, iam direto à cozinha questionar a mãe sobre a minha falta de compreensão, já que seus amiguinhos sempre indagavam sobre suas ausências!
Nesse ínterim, era a minha vez de, furtivamente, dar uma ligeira espiada pela janela.
Realmente doía-me o coração ao ver aquela criançada, aboletada nas caminhonetas e carros, onde até os cães também disputavam um lugarzinho junto aos seus inseparáveis donos, enquanto os meus filhos se lastimavam no quarto ao ouvir aquela algazarra, misturada a ruídos de motores e toques intermitentes de buzinas! Certamente, mais um fim de semana de lazer já estava acontecendo!...
Porém, sempre confiante em Deus, acreditei que um dia as coisas também iriam melhorar para nós. E foi o que realmente aconteceu: resolvi os meus problemas com os bancos, hospitais farmácias e agiotas... Finalmente, comprei uma Brasília amarelinha, com pequena entrada e módicas prestações.
Agora sim podíamos acompanhar o pessoal nos fins de semana, não mais como caronas!
Certa vez, um dos meus filhos observou que eu dirigia perigosamente enquanto tentava espanar algumas lágrimas que me embaçavam a visão: sua voz em tom preocupante sobressaiu à cantoria e ecoou nas entranhas da minh'alma; então, como resposta, apenas sorri.

Afinal, uma emoção forte, acompanhada de dóceis e mornas lágrimas, também pode chamar-se FELICIDADE!


Conto de João Bueno

quarta-feira, agosto 23, 2006

Natal!!!

Natal
Confraternização universal
Data magna,
Festiva,
Nascimento de Jesus!

Natal
Árvore ornamentada
Pisca-pisca iluminando presentes
Missa do galo, sermão veemente
Jantar, opíparas iguarias
Reverência ao Senhor
Alegria,
Aleluia!

quarta-feira, agosto 09, 2006

XADREZ

Maravilhoso é o xadrez, jogo-ciência
Onde dois cérebros labutam, mentalmente
Ambos em busca da vitória, sutilmente
Que imprescinde, sobre tudo à inteligência

Peões-infantes digladiam nos escaques
Com o apoio da fiel cavalaria
Enquanto os bispos, capitães de tal porfia
Mais torres, damas, não permitem haja escape

E na sortida, brada o rei, já vitorioso
Um ultimato antes da carga final,
Ao inimigo ainda crente num empate

Triste ilusão que logo após se desvanece
Diante de um cheque-mate, lance terminal,
Que até o campo de batalha estremece!!!

terça-feira, agosto 01, 2006

NILZA

Nilza
Oh nome que inspira
O meu coração carente
A implorar o teu amor

Nilza
Eu quero teu carinho
Para que um dia meu ninho
Venha a reflorescer

Nilza
Oh mulher que tanto quero
E de paixão te venero
Não me negues teu amor

Nilza
Por favor
Sou eu que te proclamo
Juro por Deus que te amo
Vem tirar a minha dor.

segunda-feira, julho 24, 2006

Último Aniversário

Aniversário, corrente da vida,
Com seu declive e tenaz subida
É um elo a mais, data natalícia,
Na dúbia estrada do bem e malícia

Aniversário, marco de existência.
A cada ano, parcela somada,
Cujo trajeto vige a competência,
E se tropeça, séria derrocada!

Assim, o homem caminhando, exausto,
No tempo ingrato não percebe nada
Do que o dito agora lhe prepara.

E quando chega ao fim da estrada,
Vislumbra um vulto negro, encapuzado,
Que lhe informa: TEMPO TERMINADO!

quinta-feira, junho 29, 2006

Destino

- Você fuma?
- Não
- Bebe?
-Também, não... e você?
-Eu fumo e bebo, mancebo...
-Lamento muito, companheiro
Além de queimar dinheiro,
Lá se vai você junto,
Nas condições de defunto!

Dito isso, o abstêmio
Despediu-se do viciado
E saiu logo, de fino,
Sem contar com o destino
Ao entrar na avenida,
Terminal da sua vida:

De repente, uma batida!
Dois caminhões na avenida
O primeiro, de cigarros
O segundo, de bebidas
E no meio, já sem vida
O cara que não fumava
E , o álcool, detestava?!

sexta-feira, junho 23, 2006

Memorial

Ó memorial luzente
Do seio brotas torrentes,
Centelhas de amor e paz,
Dos teus lóculos silentes
Um aroma envolvente
Nos embriaga ainda mais.

A Necrópole Ecumênica
Inserida no teu bojo
Faz de ti um santuário
Aos nossos entes queridos
Que eternamente assistidos
São isentos do calvário...


Ah, se o meu Deus me desse
O dom de poetizar,
Para melhor te exalta

Declamaria, em preces
Às orações que mereces
Por nossos mortos guardar!

quinta-feira, junho 22, 2006

Dúvida filial

Perdeste o lindo porte de donzela
E os passos tão seguros de outrora
O Tempo encheu-te o corpo de maselas
E neve os teus cabelos de senhora...

Teu ventre minha mãe foi a guarida
Ao feto desse filho, hoje adulto
Os braços segurança à minha vida
A fala ensinamento a um ser inculto

Agora homem feito e já bem-posto
Lamento às minhas faltas, vil pecado
Inscritas nas mil rugas do teu rosto
E fibras desse coração magoado

Quisera nunca ter te ofendido
Melhor seria, ó mãe, para nós dois
Será que adiantou eu ter nascido
Para roubar-te a paz, logo depois?!

quarta-feira, junho 21, 2006

Brasília

De um sonho vindo do alto
Surgiste formosa, dengosa, real
No seio desse planalto
Coberto de asfalto
Linda capital

Hoje, menina dos olhos
Do mundo encantado
És obra de Deus
A proteger nos refolhos
De ouro encrustado
Todos os filhos teus

Brasília
Polo radiante, coração do meu Brasil
Brasília
Jóia brilhante, sob um ceu azul-anil
Brasília
Dócil raínha, lábios rubros de carmim
Brasília
Te amarei até o fim!

segunda-feira, junho 19, 2006

Perdido de Amor

Hoje, estou perdido de amor
Meu coração em esplendor
Abre o regaço para ti

Hoje, eu vivo só pra te amar,
Tudo de mim quero te dar,
Até minh’alma em frenesi

Hoje, eu sinto o mundo me invadir
Cada segundo é um sentir
De emoções sensacionais

Hoje, porque voltaste aos braços meus.
E agora juntos tu e eu,
Separação, nunca, jamais!

sexta-feira, junho 16, 2006

Luar sem Amor

Lua cheia
Que clareia
Lindo deixa tudo!

No entanto,
Desencanto.
Noite bela.
ONDE ESTA ELA ?!...

quarta-feira, junho 14, 2006

HINO à APEBS - Associação de Poetas e Escritores da Baixada Santista

Bandeira da minha APEBS
APEBS que eu vi nascer
No teu âmago recebes
Os menestréis do saber.

Tua cor verde-esmeralda
Junto ao branco da pureza
Drapeja quando desfraldas
Com graça e singeleza.

A lua em ti nascendo
A pena dos escritores
São artistas escrevendo
Lindos versos de amores

Bandeira da minha APEBS
APEBS que eu vi crescer
Ao tremular tu concebes
Poetas p’ra te querer

sábado, junho 10, 2006

Jogo de Damas

Jogo de damas, imprescinde à inteligência.
Seus praticantes se intitulam de DAMISTAS
Mas só àqueles que estudam essa ciência,
Tornam-se mestres, excepcionais artistas.

Do tabuleiro faz-se um campo de batalha.
Dos combatentes, as pedrinhas coloridas,
Sob o comando, para que não haja falha,
De duas mentes, em porfia, a mais renhida.

Jogo de damas se parece com a vida
Cujo princípio, meio e fim nessa jornada,
É susceptível de fracasso ou de glória.

Conforme o empenho que se empresta na jogada
Mesmo no meio, no final ou na saída,
É que se perde ou se chega à vitória!

quinta-feira, junho 08, 2006

INTENTONA COMUNISTA DE 1935

Dormem tranqüilos filhos brasileiros
Encenando um ato, um quê de inocência
Sem desconfiar da torpe violência
De irmãos insanos, cruéis bandoleiros.

Sonham alegres, sonhos tão diversos,
Que pelos gestos tento interpretá-los
Como se os corpos quisessem expressá-los
Em sutis poemas de eloqüentes versos:

Oh, este sorrindo estende fortes braços,
Aquele, ao lado, ensaia beijos ternos,
Outro, acolá, com modos paternos,
Acolhe o filhinho em morno regaço!

A noitinha desce, há nimbos pesados,
Mortal cortinado de um breu agourento,
Prenúncio de avanço, em tempo marcado,
Que os vis celerados aguardam atentos

Nem mesmo o gemido cortante do vento
Consegue uma trégua à luta traiçoeira
Torpe espetáculo, amaldiçoado evento,
Irmãos contra irmãos, da mesma bandeira!

- Parai profanos, miseráveis Judas,
Por que agis com tanta fúria assim
Esqueces do exemplo deixado por mim,
“A todo amor, aos fracos, ajuda?”

E os desgraçados de almas perdidas,
Satânicos risos, esgares nervosos,
A “VOZ” já nem ouvem, moucos criminosos,
Carrascos mundanos das mortes sofridas

Virulentas pragas, asquerosos vermes,
Peçonhentas cobras de botes armadas
Esgueiram ruelas transpondo amuradas,
À caça impiedosa das presas inermes...

De surpresa a turba, ataque inclemente,
Elimina a todos, imediatamente,
Em sórdida luta sem adversário,
Não lhes dando chance, ato temerário...

À injusta vitória que o demo inspirou
A corja execrável das dores zombava,
Ao limpar os gumes dos sabres que entrava
Nos corpos sangrentos, morte buscou

Desprezível seja a bem da verdade,
Ó causa infame, pertinaz, ferina,
E ao que te adere, pela crueldade,
Nefasto ideal que Deus abomina

Que o sangue rubro, puro e generoso,
Dos imolados nesse triste dia
Seja uma chama, facho poderoso,
A dispersar o ódio e a tirania.

E a tua a morte, pranteado irmão,
Seja um libelo para a humanidade
E um alerta, que não seja em vão,
Aos que desejam paz e liberdade!

quarta-feira, junho 07, 2006

Antagonismo

Duas forças antagônicas.
Minha alma feliz, harmônica,
Pela vontade divina
Cumpre em paz a sua sina...

Nessa lei eterna, inexorável,
Batalha eterna, irrevogável,
É que o bem e o mal labutam
Contra a inércia que refutam...

“Nem ao mar, nem tanto a terra”,
Sábia máxima que encerra
O equilíbrio da harmonia:

Pois, não fora ela, o mundo,
Por certo não existiria
Nem sequer por um segundo!

quarta-feira, maio 31, 2006

A Fala do Feto

Pára, pára, humanidade em desarmonia!
Mais do que a atração física,
Ou interesses pecaminosos,
É preciso a comunhão do abençoado amor
Entre os cônjuges!
Sem essa concepção
logo não mais existirá Humanidade verdadeiramente cristã.
Essa é a minha conclusão,
Devido a nefasta degradação!

Estou consciente disso, mesmo antes de nascer...
Sim, ouve-me com os ouvido de ouvir:
Quase um ano enclausurado neste ventre,
Já me representam séculos de angustiante expectativa!
Pois, o meu inconsciente, sensível, capta a cada instante,
As boas e as más impressões maternas...

Porém, impossibilitado de me defender de influências nefastas,
muitas vezes choro sob seus terríveis impactos.
Desapega-te, ó humanidade, do frenesi da carne;
Repasto de vermes asquerosos,
E volve os olhos de ver, para dentro de ti,
A fim de ouvires divinal aconselhamento anímico.
Assim, e só assim, poderás recriar gerações,
Dignas de vivências angelicais.
Não, não desejo que elas venham a ser assim como eu;
Elo de uma geração que já está chegando ao fim
De um começo incerto!

terça-feira, maio 30, 2006

Espelho da minha vida

Espelho da minha vida
Onde miro o meu semblante
Por que refletes como antes
A minha imagem sofrida?

Bem ou mal corri a estrada
Da vida até ao final,
Chegando aqui, a final
Sem os meus, gente finada...

Será que valeu a pena
Ser criança, infante, idoso,
No rodamoinho maldoso
Do tempo que me acena?

Meus olhos quase sem vida
Viram coisas boas, más,
Desde Santo a satanás;
Gente alegre ou padecida!

O meu andar sem reflexo
Deambulou comedido
Mas, hoje, comprometido,
À deriva, anda sem nexo...

Espelho repugnante
Sou farrapo que transformas,
Acaso, mediante normas,
Deveras, tão aviltantes?

EXIJO, deixa marcado,
Na face deste teu aço
O que fiz e ainda faço
Aos jovens interessados

Ó, já fui começo e fim
Hoje do fim sou começo
Das obras que ainda teço
Às gerações após mim...

À juventude que enceta,
Rumo a obras consagradas,
Decisiva caminhada,
Deixo inacabadas metas

Concluas pela razão
Aliada a experiência,
Juntamente com a ciência
E o aval do coração!

Espelho da minha vida
Minha alma esclarecida
Deu-me, agora, compreensão:

Pois em ti não mais me vejo,
Como último desejo,
Vou p’ra oura dimensão!

segunda-feira, maio 29, 2006

Franco e honesto

É o que sou, aliás, ou penso que sou...
Hoje, de manhã, levantei-me bem humorado.
Mas, de repente, ao ver-me no espelho,
Estupefato, notei que não era eu?!
A barba, que há pouco eu havia escanhoado,
Revelara-me rugas e cicatrizes profundas,
Provenientes do tempo de implacável cobrança.
Outras, mais, arqueadas ao lado da boca,
Tal qual esgares de reprovações contínuas,
De sorrisos, simplesmente, irônicos,
Fizeram-me reavaliar comportamentos escusos..

E daí, a clássica indagação: Quem não os tem?
A bem da verdade será que somos um terço do que pensamos ser?
Pois bem, olhe no espelho e faça esta pergunta a ele.
Como resposta, algo impressionante acontecerá:
O espelho, os teus olhos, ou ambos, ficarão embaçados!!!

quinta-feira, maio 25, 2006

Confidências

Ao telefone uma voz sentida
Ansiosamente quer dialogar
É uma jovem carente, sofrida
No mar da vida, tristonha a vogar

"Alô, desculpe se lhe roubo o sono:
É a solidão cruel que me devora
A alma triste, em sádico abandono,
Por um amor que adorei outrora"

Informações, soluços, confidências,
Negro painel do seu terríivel drama
Desperta, em mim, velada compaixão

E assim, devido a minha impaciência
Peço-lhe, então, pra desfazer a trama
Urgente audiência ao seu coração...

DESEJO

Desejo de observar, com invulgar interesse
Tuas lindas coxas, cor de rosas
Quando te abaixas para catar algo...

Desejo de burilar, qual dedos de exímio pianista
A bicetriz, sob o monte de vênus
Da tua imaculada zona pubiana.

Desejo de penetrar, vagarosamente,
O meu pingente de diamante,
Para despertar o ponto G
Nas profundezas da tua caixinha de segredos!

Hino ao NACLIP

Núcleo radiante, de arte e cultura
Do esplendoroso litoral paulista
Facho de luz, policromia pura
És tu, "Naclip", berço de artistas

O teu estandarte azul, vermelho e branco,
Dourado luzente, beleza real,
Reflete as chamas em volta dos flancos
Tal qual sete artes na piramidal...

Da tua canção que o farfalhar entoa
A reverberar em tuas fibras mil
Ouço pasmado algo que o som reboa
Como que a dizer, "unâmo-nos Brasil"

Ao relembrarte os indecisos passos
De outrora e, agora, esta postura audaz
Eu quero envolverte com um forte laço,
Qual um terno abraço que não se desfaz!

quarta-feira, maio 24, 2006

FULGISTO

Tu surgiste em minha vida
Com varinha de condão
Reacendendo, querida
Meu foguinho de paixão

Às vezes penso, contrito
Nessa velada conquista,
Qual brasas sob fulgisto,
Ocultas de nossas vistas...

Mas se depender de mim
Tenho fé que vai dar certo
Este romane zaz-traz

Pois, das brasas sopro as cinzas
E o braseiro, a descoberto,
Em chamas o resto faz!...

terça-feira, maio 23, 2006

Saudação à Bandeira

Bandeira da minha terra
Pavilhão do meu País
Estou deveras feliz
Por tudo que em ti se encerra: Fragor de renhidas guerras,
Com drapejar sempre audaz
Pendão que nos folhos traz
As marcas de tantas glórias
Traduzidas em vitórias
Sacrário de amor e paz

Teu manto puro e sagrado
Nos evoca à oração,
Com carinho e devoção
De povo conscientizado.
E o cruzeiro refulgente,
Num reluzir permanente
Nos impele a conclamar
“Avante, ó brasileiros"
Não deixem que forasteiros
Venham teu brilho ofuscar...”

Cantemos, pois, o teu hino
Com emoção e louvores
Nas vozes cheias de amores
Ao retratar-te o destino,
Nas campos, ruas e lares.
Bandeira do meu País
Por ti morrerei feliz
Se algum dia precisares!

segunda-feira, maio 22, 2006

Vicente de Carvalho

Em sã consciência, um verdadeiro artista
Jamais deixaria que o vate santista,
Alheio ao mar, que sempre versejou

Fosse arrebatado de quem sempre amou!

Então, num repente, algo me entristece
E um quê de repúdio me aguilhoa o peito:
É a dor, com certeza, por falha inconteste
De alguém que tentara prestar-lhe tal preito...

Pois, ali me deparo co'o metre amado
Bronzeada escultura “DE COSTAS P’RO MAR”,
ladeando sereias, imortalizado,
Porém, cabisbaixo, com mágoa no alhar!...

Ginete dos mares é assim que o vejo
Montando hipocampos de pélago fundo
Garboso mancebo é assim que o concebo
Protegendo as faunas dos mares do mundo!

Ouvindo nos búzios maviosos corais,
Vogando nas conchas com belas ondinas
Versejando odes, cumprindo sua sina
É assim que o vejo, vencendo abissais!

sexta-feira, maio 19, 2006

Buenos Aires, adeus...

Braços abertos
Aos pés do colosso porta-mar,
Encimado por gracioso canitar
(Diadema glacial)
Dos andes milenares,
Não há quem resista à tua beleza,
Oh, preciosa jóia sulamericana!

Na policromia da tua passarela
Onde guapos varões e gentis donzelas
Desfilam a cantar Gardel,
Quero também deixar as marcas indeléveis
Dos meus indecisos rastros,
Para que saibas que um belo dia
Por aqui passou um arremedo de poeta,
Mas, um verdadeiro fã que te amou à primeira vista
"Mi Buenos Aires querida"

quinta-feira, maio 18, 2006

Carnaval

Tríduo momesco
Entrudo grotesco
Poluição mental
Explícito bacanal
Depravação total...

Carnaval
Perversão, distruição
Desamores, horrores
Orgias, desarmonias
Lágrimas tardias!

Carnaval
Pseudo euforia
Curtição sem peias
Reação que encadeia
Mil picos nas veias

Carnaval
Abismo de ais
Obra de satanaz
Tristeza do Pai!

quarta-feira, maio 17, 2006

Baía Santista


Baía santista espelho irisado
Qual jóia esfuziante, diamante real
Não há quem resista, olhar encantado,
Teu corpo molhado beldade imortal

De dia refletes um brilho radiante
De sol dardejante em teu seio a bailar
À noite o teu bojo de luar brilhante
Convida os amantes a te reverenciar

Exaltam-te vates, artistas, pintores
Com justos louvores e muita emoção
Oh, linda princesa de muitos amores
Por ti também vibra o meu coração

Pois, quisera fossem todos contemplados,
Viver ao teu lado, pasmados como eu
Baía santista, espelho incrustado,
Golfo abençoado pelas mãos de Deus!

terça-feira, maio 16, 2006

Bodas de Rubi


Não era sonho quando a vi, um dia,
Qual dócil fada, passar junto a mim
Pois, nesse dia percebi que havia
Intensa chama de paixão sem fim

Outrora, jovem de olhar faceiro
Agora adulta, mãe esplendorosa
Que o mais santo Pai dos jardineiros
Fez-te tão bela quanto uma rosa!

Foram-se os dias, meses, tantos anos
De alegria e de sofrimentos
Que sempre juntos nós compartilhamos

Isso, querida, só nos foi possível
Pela promessa feita em casamento
E mais, ainda, porque nos amamos!

quinta-feira, maio 11, 2006

MARISA

Os sete mares singrei
Em todos me aportei
Em cada um eu deixei
Mulheres que tanto amei..

Mas, de paixão que escravisa
Por uma só me gamei
Seu nome que não falei
Digo agora, é MARISA!

quarta-feira, maio 10, 2006

Porto Santista

Porto meu, porto santista
Porto ponto do turistas
Do mundo, pela grandeza
És, com louvor, realeza
E com justiça, aclamado
“Pujança do nosso estado”

Santista sou, orgulhoso
Ao ver-te, assim, majestoso
Meu bravo povo, abrigar
Notar sorriso no rosto
Descontraído e disposto
Por ter onde trabalhar...

Rente a ti, no estuário
Qual bendito santuário
Entra e sai riquezas mil
Oh, meu porto brasileiro
Conhecido no estrangeiro
“O gigante do Brasil”

Do Monte Serrat eu clamo
Ao meu Deus que tanto amo
A divina proteção
A ti, às praias morenas
Com seu jardim de falenas
A Santos, minha paixão!

quinta-feira, maio 04, 2006

GNOMO

Eu sou um gnomo, guardião da mata
Amante do verde, das selvas gerais
No meu peito vibra os sons da floresta
Fazendo-me festa, por sermos iguais...

Meu corpo pequeno é clorofilado
Nas veias carrego a seiva vital
Portanto sou gênio, gnomo abençoado
Defensor da planta, inimigo do mal

Se és, realmente, um sêr ilibado
Desdenha o machado, mortífero algoz
E toma assento depressa ao meu lado

Não deixa que a sanha da gente feroz
Destrua sementes, florestas, cerrados
Essência da vida, para todos nós!

quarta-feira, abril 26, 2006

Orgasmo

Dois corpos sobre a relva, interados
Movidos por gracioso sincronismo
Se entregam como eternos namorados
Dos tempos de sublime romantismo:

Aos poucos as gotinhas sudorais
Salpicam-lhes os membros deslisantes
Enquanto o libido, mais e mais
Emprestam-lhes imagens luxuriantes...

E os lábios beijam carnes, rubras, tensas
Que se transforma em ais gemidos fortes
Prenúncio de reconfortante espasmo

Nem mesmo nesse instante a própria morte
Seria tão audaz, mediante ofensas
Para inibir do ato intenso orgasmo!

Aniversário

Aniversário quer dizer um ano
Ou outros mais de vida passageira
De esperanças ou de desenganos
Ora morosa ou então ligeira

Dizem, acúmulo de experiência,
Anos vividos, dúbia caminhada
Outros entendem como decadência,
Senilidade, horas já contadas...

Mas eu, poeta, mais quintessenciado
Opino agora sobre o fato em tela,
Para pôr fim a tola discussão:

Não obstante, acho a vida bela
Se os anos idos, bem vivenciados,
Forem isentos de desilusão!

segunda-feira, abril 24, 2006

Crepúsculo Santista

Descamba a oeste, no horizonte matizado,
Bruxuleando luz violeta, o sol poente
Entardecendo o ceu santista, irisado
Macro-espetáculo, encanto de tanta gente

No estuário, um vai-vem barcos, lentamente
Cheios de sonhos, esperanças e riquezas
Enquanto estola ou se ascendem, habilmete,
A passarada, indo e vindo, com leveza

Do alto a lua espia o astro que avança
Rumo trasmonte após proeza espectral
E assim assume, noite a denro, a liderança
De amada-amante nas fímbrias celesteal...

E o mar-amigo, para abrilhantar o evento
Com seu poser de viração, irresistível
Espelha as águas da baia, que portento
Propiciando um arrebol indescritivel!

quinta-feira, abril 20, 2006

Virgem Maria

Do corpo esbelto da feliz donzela
Formas radiantes se avultando vão
E ao mundo em festa algo se revela
Pela santíssima concepção!

Semente viva, um pulsar constante

No ventre-sacro do mais puro amor
Faz da futura mãezinha exultante
Bendita amante a sorrir na dor

Chegada a hora, divinal momento
Do olhar sereno que a todos seduz
Brotam gotinhas, lágrimas brilhantes

E os Anjos prestos revelam o evento:
É Nazareno, o menino Jesus,
O Prometido a ti confiado antes!

Morte

O tempo passa e com ele vai
Toda uma vida palmilhando o chão
No fim da estrada ela se esvai
Enquanto o espaço fecha-lhe o portão

São tantas vidas ignóbeis, santas
Nesse trajeto de espinho e flor
Onde se avulta o mal, e o bem encanta
Num paradoxo entre ódio e amor

O livre arbítrio é opcional:
Cada elemento é um diabo ou santo
Independente do poder supremo...

Mas só a morte mostra o terminal
Ao moribundo cérulo de espanto
Onde está Cristo ou, então, o demo!

quarta-feira, abril 19, 2006

MÃE

Se me deste à luz por dares
Simplesmente por prazeres
Te repilo com esgares
Renegando os teus poderes

Se me deixaste alhures
Compenetrada do ato
Minhas mãos jamais segures
Não te pertenço de fato

Se me honraste, contudo
E de nada me privaste
Então devo ficar mudo
Ao gesto que praticaste

Mas se repartiste o prato
Comigo e noites sofridas
Então a ti serei grato
Minha mãe, por toda vida!

quinta-feira, abril 13, 2006

DESENLACE

Não há motivo para tanto desespero
Quando se perde para a morte algum ente
Se atentarmos para o transe passageiro
E ao despertar p’ra outra vida num repente

Claro me faço para aquele tão descrente
Com argumentos próprios da filosofia:
"Tudo transforma-se, neste mundo latente
Nada se perde e também nada se cria”

Quer seja o corpo putrefato pelos vermes
Ou mesmo a alma integrada na harmonia
Ambos vibráteis são repletos de energia

E essa força, íon-etéria, não inerme
Tudo reativa como um passe de magia
Reanimando o universo até o cerne!

segunda-feira, abril 10, 2006

METAMORFOSE

Das tantas formas que a vida assume
Somente uma deixa-me extasiado
Tal a maneira como se resume
Um micro-ovo metamorfoseado:

São larvas, pupas, vermes já imagos
Tais ninfalídeos ainda eruciformes
Que há bem pouco se prestavam a estragos
E que agora encasulados dormem...

Pingenteando muros, cercas, ramas.
Dançam ao léu crisálidas brilhantes
Brincos dourados de rara beleza

E desses bojos que o olhar inflama
Lepidópteros voam, triunfantes
Cromatizando a mãe natureza!

sexta-feira, março 31, 2006

ORA BOLAS

...
Sinto vontade indizível, louca
De pôr pra fora num papel timbrado!
Mil pensamentos, antes ruminados.
Mas sufocados não me sai da boca

Contudo estanco a ponta da caneta
Sobre o papiro branco, imaculado
À espera ansiosa do que foi pensado
E que não vem agora na veneta

Passam-se as horas, nenhuma letrinha.
E a inspiração ‘inda desacordada
Em desacordo não entra na linha

Então desisto, triste, acabrunhado
Vendo, afinal, que não escrevi nada
Além de pontos, traços e bolinhas!

terça-feira, março 21, 2006

A voz dos Palmares

Sou uma Palmares, raiz africana
Da cor do azeviche, pureza da raça
Do olhar cativante, luzente, que emana
Centelhas da alma, diamante sem jaça

O fel da injustiça sorvi com pavor
No chão da senzala perdi a inocência
Enquanto no tronco, perecia em dor
Meu grande amor recusando clemência

O peito arfante silenciou meu canto
Dos lácteos seios servi vis senhores
Fiz mil cafunés, entoei acalantos
Mas nunca aos meus, marginais sonhadores...

Porém, hoje, enfim, apesar dos pesares
Esforço inaudito, eis que rompo o grilhão
De volta aos Palmares, alvo dos feitores
Reduto de escravos, sagrado bastião

Tal e qual fênix, das cinzas, renascida
Regressei da luta, em prol da igualdade
Beijando o pendão da Pátria querida,
Cantando a canção “Salve a Liberdade”

quinta-feira, março 16, 2006

BUMERANGUE

Ali no catre, o velho moribundo
Entorpecido aguarda o desenlace
Enquanto a mente rememora um mundo
De ingratidão estampada na face:

Vê-se criança, adulto, um lutador
Recorda à amada, os filhos, muitos netos
Então percebe, foi um sonhador
Ao ser tirado do precioso teto

Assim é a vida, Deus sabe o que faz
Ingratidão é um mal, um bumerangue
Cujo retorno é sempre infalível

Hoje, tão jovem, amanhã, senil
E o desgraçado pelo gesto vil
Será punido pelo próprio sangue!

terça-feira, março 14, 2006

CONFISSÃO

Te amo tanto, tu não imaginas como
Perto de ti minh’alma aflita se extasia
Por queira que tu vás eu me assomo
Enfeitiçado de paixão e alegria

Não há distância para os meus pensamentos
Que a mim me trazem à lembrança a tua imagem
Oh, deusa minha, radiante monumento
Tão verossímel, apesar de ser miragem...

Quero que saibas dessa maneira insossa
De venerar-te, ocultamente, sem alarde
Desde o momento que te vi, ainda moça
Sem que esse modo de querer fosse covarde

Em não bastando os gestos vagos desses atos
No cotidiano, através de tantos anos
Quero que o tempo se encarregue desses fatos
Para atestar que o meu querer não foi profano

E mesmo assim, se isso tudo for tão pouco
Para que ouças o clamor dos rogos meus
Faças de conta, quem te amou foi só um louco
E que aos poucos te adorando pereceu!

MULHER


Bendita seja a mulher divina
Que entre todos os seres do mundo
Resplandecente, a vida ilumina
No seu sentido mais vero e profundo

O teu direito, quanto à igualdade
Que a ti pertence pela própria essência
Se compuscarda é uma iniqüidade
Insana afronta à santa providência:

Quem perpetua nossa humanidade
Com terno amor que a todos seduz
Quem mais percorre a estrada da vida
Dando guarida a quem falte luz?

Quem mais sorri, mesmo apesar das dores
Povoando o mundo de proles sem fim?
Ó Deus, é Ela, com justos louvores
Sem mais favores, é a Mulher, sim!

domingo, março 12, 2006

Papoula

Destruidora qual ofídio peçonhento
Mas portentosa como a rosa sobre haste
A flor-papoula, camaleão de tal evento
É tão grandiosa muito mais pelo contraste

Por entre pétalas em riste para a luz
Resplande o cálice bojudo, virulento
Intumescido pelo ópio que produz
Maldita praga a cumprir o seu intento

O seu poder é tão intenso sobre o incauto
Quanto a mil drogas geradoras de ilusões
Irreversível e de funesta conseqüência

E a pobre vítima tomada de assalto
Destrói-se toda e os outros corações
Acorrentada nos grilhões da dependência
!

Terceiro Milênio


Quando o homem dominar a matéria
E tudo sublimar-se, num momento
Livre de liame, o pensamento
Fluirá sem barreira deletéria

Assim, a terra, macro-santuário
Jardim d’Anjos, aprazível recanto
Berço de luz, reduto sacrossanto
Será feliz na “ Era de Aquário”

Não haverá, jamais, nenhuma guerra
Amor e paz serão uma constante
Nos corações isentos de maldade

E da harmonia que o universo encerra
Um turbilhão de vozes, nesse instante,
Canta mil hinos de felicidade!