quinta-feira, junho 29, 2006

Destino

- Você fuma?
- Não
- Bebe?
-Também, não... e você?
-Eu fumo e bebo, mancebo...
-Lamento muito, companheiro
Além de queimar dinheiro,
Lá se vai você junto,
Nas condições de defunto!

Dito isso, o abstêmio
Despediu-se do viciado
E saiu logo, de fino,
Sem contar com o destino
Ao entrar na avenida,
Terminal da sua vida:

De repente, uma batida!
Dois caminhões na avenida
O primeiro, de cigarros
O segundo, de bebidas
E no meio, já sem vida
O cara que não fumava
E , o álcool, detestava?!

sexta-feira, junho 23, 2006

Memorial

Ó memorial luzente
Do seio brotas torrentes,
Centelhas de amor e paz,
Dos teus lóculos silentes
Um aroma envolvente
Nos embriaga ainda mais.

A Necrópole Ecumênica
Inserida no teu bojo
Faz de ti um santuário
Aos nossos entes queridos
Que eternamente assistidos
São isentos do calvário...


Ah, se o meu Deus me desse
O dom de poetizar,
Para melhor te exalta

Declamaria, em preces
Às orações que mereces
Por nossos mortos guardar!

quinta-feira, junho 22, 2006

Dúvida filial

Perdeste o lindo porte de donzela
E os passos tão seguros de outrora
O Tempo encheu-te o corpo de maselas
E neve os teus cabelos de senhora...

Teu ventre minha mãe foi a guarida
Ao feto desse filho, hoje adulto
Os braços segurança à minha vida
A fala ensinamento a um ser inculto

Agora homem feito e já bem-posto
Lamento às minhas faltas, vil pecado
Inscritas nas mil rugas do teu rosto
E fibras desse coração magoado

Quisera nunca ter te ofendido
Melhor seria, ó mãe, para nós dois
Será que adiantou eu ter nascido
Para roubar-te a paz, logo depois?!

quarta-feira, junho 21, 2006

Brasília

De um sonho vindo do alto
Surgiste formosa, dengosa, real
No seio desse planalto
Coberto de asfalto
Linda capital

Hoje, menina dos olhos
Do mundo encantado
És obra de Deus
A proteger nos refolhos
De ouro encrustado
Todos os filhos teus

Brasília
Polo radiante, coração do meu Brasil
Brasília
Jóia brilhante, sob um ceu azul-anil
Brasília
Dócil raínha, lábios rubros de carmim
Brasília
Te amarei até o fim!

segunda-feira, junho 19, 2006

Perdido de Amor

Hoje, estou perdido de amor
Meu coração em esplendor
Abre o regaço para ti

Hoje, eu vivo só pra te amar,
Tudo de mim quero te dar,
Até minh’alma em frenesi

Hoje, eu sinto o mundo me invadir
Cada segundo é um sentir
De emoções sensacionais

Hoje, porque voltaste aos braços meus.
E agora juntos tu e eu,
Separação, nunca, jamais!

sexta-feira, junho 16, 2006

Luar sem Amor

Lua cheia
Que clareia
Lindo deixa tudo!

No entanto,
Desencanto.
Noite bela.
ONDE ESTA ELA ?!...

quarta-feira, junho 14, 2006

HINO à APEBS - Associação de Poetas e Escritores da Baixada Santista

Bandeira da minha APEBS
APEBS que eu vi nascer
No teu âmago recebes
Os menestréis do saber.

Tua cor verde-esmeralda
Junto ao branco da pureza
Drapeja quando desfraldas
Com graça e singeleza.

A lua em ti nascendo
A pena dos escritores
São artistas escrevendo
Lindos versos de amores

Bandeira da minha APEBS
APEBS que eu vi crescer
Ao tremular tu concebes
Poetas p’ra te querer

sábado, junho 10, 2006

Jogo de Damas

Jogo de damas, imprescinde à inteligência.
Seus praticantes se intitulam de DAMISTAS
Mas só àqueles que estudam essa ciência,
Tornam-se mestres, excepcionais artistas.

Do tabuleiro faz-se um campo de batalha.
Dos combatentes, as pedrinhas coloridas,
Sob o comando, para que não haja falha,
De duas mentes, em porfia, a mais renhida.

Jogo de damas se parece com a vida
Cujo princípio, meio e fim nessa jornada,
É susceptível de fracasso ou de glória.

Conforme o empenho que se empresta na jogada
Mesmo no meio, no final ou na saída,
É que se perde ou se chega à vitória!

quinta-feira, junho 08, 2006

INTENTONA COMUNISTA DE 1935

Dormem tranqüilos filhos brasileiros
Encenando um ato, um quê de inocência
Sem desconfiar da torpe violência
De irmãos insanos, cruéis bandoleiros.

Sonham alegres, sonhos tão diversos,
Que pelos gestos tento interpretá-los
Como se os corpos quisessem expressá-los
Em sutis poemas de eloqüentes versos:

Oh, este sorrindo estende fortes braços,
Aquele, ao lado, ensaia beijos ternos,
Outro, acolá, com modos paternos,
Acolhe o filhinho em morno regaço!

A noitinha desce, há nimbos pesados,
Mortal cortinado de um breu agourento,
Prenúncio de avanço, em tempo marcado,
Que os vis celerados aguardam atentos

Nem mesmo o gemido cortante do vento
Consegue uma trégua à luta traiçoeira
Torpe espetáculo, amaldiçoado evento,
Irmãos contra irmãos, da mesma bandeira!

- Parai profanos, miseráveis Judas,
Por que agis com tanta fúria assim
Esqueces do exemplo deixado por mim,
“A todo amor, aos fracos, ajuda?”

E os desgraçados de almas perdidas,
Satânicos risos, esgares nervosos,
A “VOZ” já nem ouvem, moucos criminosos,
Carrascos mundanos das mortes sofridas

Virulentas pragas, asquerosos vermes,
Peçonhentas cobras de botes armadas
Esgueiram ruelas transpondo amuradas,
À caça impiedosa das presas inermes...

De surpresa a turba, ataque inclemente,
Elimina a todos, imediatamente,
Em sórdida luta sem adversário,
Não lhes dando chance, ato temerário...

À injusta vitória que o demo inspirou
A corja execrável das dores zombava,
Ao limpar os gumes dos sabres que entrava
Nos corpos sangrentos, morte buscou

Desprezível seja a bem da verdade,
Ó causa infame, pertinaz, ferina,
E ao que te adere, pela crueldade,
Nefasto ideal que Deus abomina

Que o sangue rubro, puro e generoso,
Dos imolados nesse triste dia
Seja uma chama, facho poderoso,
A dispersar o ódio e a tirania.

E a tua a morte, pranteado irmão,
Seja um libelo para a humanidade
E um alerta, que não seja em vão,
Aos que desejam paz e liberdade!

quarta-feira, junho 07, 2006

Antagonismo

Duas forças antagônicas.
Minha alma feliz, harmônica,
Pela vontade divina
Cumpre em paz a sua sina...

Nessa lei eterna, inexorável,
Batalha eterna, irrevogável,
É que o bem e o mal labutam
Contra a inércia que refutam...

“Nem ao mar, nem tanto a terra”,
Sábia máxima que encerra
O equilíbrio da harmonia:

Pois, não fora ela, o mundo,
Por certo não existiria
Nem sequer por um segundo!