terça-feira, março 21, 2006

A voz dos Palmares

Sou uma Palmares, raiz africana
Da cor do azeviche, pureza da raça
Do olhar cativante, luzente, que emana
Centelhas da alma, diamante sem jaça

O fel da injustiça sorvi com pavor
No chão da senzala perdi a inocência
Enquanto no tronco, perecia em dor
Meu grande amor recusando clemência

O peito arfante silenciou meu canto
Dos lácteos seios servi vis senhores
Fiz mil cafunés, entoei acalantos
Mas nunca aos meus, marginais sonhadores...

Porém, hoje, enfim, apesar dos pesares
Esforço inaudito, eis que rompo o grilhão
De volta aos Palmares, alvo dos feitores
Reduto de escravos, sagrado bastião

Tal e qual fênix, das cinzas, renascida
Regressei da luta, em prol da igualdade
Beijando o pendão da Pátria querida,
Cantando a canção “Salve a Liberdade”

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