domingo, dezembro 16, 2007

Lágrimas de mãe

Finalmente, a jovem donzela sente n'alma a verdadeira realização de um acalentado sonho: a concepção de um filho.
Ali , na cama de parturiente, a futura mãezinha respira profunda e candenciadamente à espera ansiosa do que virá.
Nesse instante, alheio a quse tudo, só tem ouvidos para um tênue vagido que logo deverá ecoar como um raio de esperaça, superando até mesmo o bramir dos mares revoltos, sob o fragor medonho dos tufões arrazadores.
Eia, universo, caluda a tudo o que possa chiar! Eis , então, que ela ouve com nitidez o vagido daquele abençoado Ser, agora de borco sobre o seu colo arfante; os delicados dedos tateiam-lhe os úmidos cabelos, num carinhoso e reconfortante cafuné. Olhos marejados de lágrimas trêmulas, atestam-lhe com louvor, indiscritível felicidade!
Que não se culpe o tempo unipresente e imensurável. Nós é que através de sucessivas etatapas tentamos conquistá-lo.
O azáfama do cotidiano fez com que, apesar de tudo, a jovem criatura acompanhasse com desvelo, o crescimento sobre os olhos daquela criança, agora sem o pranteado pai. Dotado de uma compleição atlética invejável, cabelos loiros, rebeldes, sobre oa olhos cor do céu, fez dele um belo jovem talhado para o sucesso. Tempos depois, já estava sendo contratado para desfilar como modelo num dos principais magazines paulista. Porém, os percalços da vida fê-lo odiar a pobreza e desprezar aquela que o gerou. Hoje, tendo como compaheira a solidão, a frágil mãezinha deambula sem rumo pelas ruas da ciidade. Tartamudeando, tenta mostrar, a quem queira acreditar, o retrato amarelecido do filho ausente. Os passantes têm pressa; nem ligam. Mas ela sim. Satisfeita consigo mesma, apesar da decepção, repõe na bolsinha o retrato que um dia lhe serviu de lenitivo, mas que agora é motivo de tantas lágrimas.

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