quinta-feira, março 16, 2006

BUMERANGUE

Ali no catre, o velho moribundo
Entorpecido aguarda o desenlace
Enquanto a mente rememora um mundo
De ingratidão estampada na face:

Vê-se criança, adulto, um lutador
Recorda à amada, os filhos, muitos netos
Então percebe, foi um sonhador
Ao ser tirado do precioso teto

Assim é a vida, Deus sabe o que faz
Ingratidão é um mal, um bumerangue
Cujo retorno é sempre infalível

Hoje, tão jovem, amanhã, senil
E o desgraçado pelo gesto vil
Será punido pelo próprio sangue!

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