Espelho da minha vidaOnde miro o meu semblante
Por que refletes como antes
A minha imagem sofrida?
Bem ou mal corri a estrada
Da vida até ao final,
Chegando aqui, a final
Sem os meus, gente finada...
Será que valeu a pena
Ser criança, infante, idoso,
No rodamoinho maldoso
Do tempo que me acena?
Meus olhos quase sem vida
Viram coisas boas, más,
Desde Santo a satanás;
Gente alegre ou padecida!
O meu andar sem reflexo
Deambulou comedido
Mas, hoje, comprometido,
À deriva, anda sem nexo...
Espelho repugnante
Sou farrapo que transformas,
Acaso, mediante normas,
Deveras, tão aviltantes?
EXIJO, deixa marcado,
Na face deste teu aço
O que fiz e ainda faço
Aos jovens interessados
Ó, já fui começo e fim
Hoje do fim sou começo
Das obras que ainda teço
Às gerações após mim...
À juventude que enceta,
Rumo a obras consagradas,
Decisiva caminhada,
Deixo inacabadas metas
Concluas pela razão
Aliada a experiência,
Juntamente com a ciência
E o aval do coração!
Espelho da minha vida
Minha alma esclarecida
Deu-me, agora, compreensão:
Pois em ti não mais me vejo,
Como último desejo,
Vou p’ra oura dimensão!

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