terça-feira, setembro 16, 2008

O Recruta Julinho

Após a quarentena, começa o período de formação, no qual o soldado recruta participa da primeira marcha de oito quilômetros. Ao completar metade da marcha, isto é, quatro quilômetros, há uma breve parada para que todos possam a reajustar os equipamentos, e as meias para se evitar as bolhas que diminuem a eficiência quanto ao rendimento da tropa.

Estava para terminar os dez minutos de descanso quando o comandante da companhia, capitão Bruno, determinou que um dos recrutas cumprisse uma rápida missão. Um deles se apresentou rapidamente como voluntário.

_ Vê aquela porteira, bem à esquerda do bosque?
_ Sim, senhor, meu Capitão.
_ Pois bem, vai até lá (coloca o seu cronômetro no pulso do recruta) e anota o tempo. Não se esqueça da cadência de cento e vinte passos por minuto; e confirma o tempo, também, na volta.
O entusiasmado do recruta, sob os olhares de inveja, dos companheiros, estufou o peito, levou a mão direita junto à ponta do capacete, prestando-lhe a respeitosa continência, e gritou: _ Sim, Senhor, meu Capitão!
Cadência normal, cento e vinte passos por minuto, olhos fixos no relógio, lá vai Julinho cumprindo com fidelidade sua missão.
Ao chegar junto â porteira, conferiu o tempo: cinco minutos, exatamente! Obviamente, o tempo seria o mesmo na volta. Bastaria, apenas, manter a mesma cadência.

E foi o que fez, até certo ponto do trajeto. De repente, não se sabe como e nem porquê, uma vaca prenhe, chifres ameaçadores, saiu do bosque e pô-se a perseguir o recruta, ainda com os olhos cravados nos ponteiros do relógio! Só deu-se conta do que estava acontecendo, devido à gritaria da soldadesca: – Corre, olhe a vaca!

O azarado soldado, ao ver a vaca soltando chispas pelas ventas, correu mais do que as próprias pernas, estatelando-se de bruços no meio dos companheiros.

Passado alguns minutos, o comandante que estava nas proximidades, ao ouvir aquela algazarra de gozação, voltou para ver o que estava acontecendo e deparou-se com o recruta, de bruços, em meio à soldadesca, tentando vomitar os bofes pra fora da boca.
O capitão, apenas ignorou o fato insólito, e foi direto ao assunto principal:
- E daí, soldado, qual foi o resultado?
Julinho, ainda morto de canseira e sem forças para se recompor, apenas respondeu:- Com vaca ou sem va... – desmaiando em seguida...

domingo, setembro 07, 2008

Isaura

Por amor ou por pirraça
Cuca cheia de cachaça
Pus Isaura pra correr
Só mais tarde percebi
Onde foi que me meti
Quando o juízo recobrei.

Até lulu meu cãozinho
E o papagaio lourinho
Me abandonaram também
Em protesto à besteira
Que aprontei na sexta feira
Por ciúme do meu bem

Tudo se paga no mundo
Minha Isaura e o Raimundo
Vão, agora, se casar.
Enquanto, desapontado
Vivo aqui, acabrunhado
Sem um ombro pra chorar!

Troviscando

Dia dos pais é saudades
Tristeza, dor, condolência
É o clamor da orfandade
Pranteando à eterna ausência.

Quero homenagear-te ó pai
Neste dia inesquecível
Sempre te louvando mais
Muito mais do que é possível.

Duas coisas não desejo
Nem pra mim, nem pra ninguém
Ser amado sem um beijo
E tratado com desdém.

O filho que tens no ventre
Carece do teu carinho
De outra forma nem tentes
Mais tarde dar-lhe um caminho.

Se o nosso pensamento
Tivesse som de se ouvir
Garanto que a falsidade
Deixaria de existir.

Poetas conto nos dedos
Somente das duas mãos
Os demais, puro arremedo
Dos vates de expressão.