quinta-feira, junho 22, 2006

Dúvida filial

Perdeste o lindo porte de donzela
E os passos tão seguros de outrora
O Tempo encheu-te o corpo de maselas
E neve os teus cabelos de senhora...

Teu ventre minha mãe foi a guarida
Ao feto desse filho, hoje adulto
Os braços segurança à minha vida
A fala ensinamento a um ser inculto

Agora homem feito e já bem-posto
Lamento às minhas faltas, vil pecado
Inscritas nas mil rugas do teu rosto
E fibras desse coração magoado

Quisera nunca ter te ofendido
Melhor seria, ó mãe, para nós dois
Será que adiantou eu ter nascido
Para roubar-te a paz, logo depois?!

Nenhum comentário: