quarta-feira, maio 31, 2006

A Fala do Feto

Pára, pára, humanidade em desarmonia!
Mais do que a atração física,
Ou interesses pecaminosos,
É preciso a comunhão do abençoado amor
Entre os cônjuges!
Sem essa concepção
logo não mais existirá Humanidade verdadeiramente cristã.
Essa é a minha conclusão,
Devido a nefasta degradação!

Estou consciente disso, mesmo antes de nascer...
Sim, ouve-me com os ouvido de ouvir:
Quase um ano enclausurado neste ventre,
Já me representam séculos de angustiante expectativa!
Pois, o meu inconsciente, sensível, capta a cada instante,
As boas e as más impressões maternas...

Porém, impossibilitado de me defender de influências nefastas,
muitas vezes choro sob seus terríveis impactos.
Desapega-te, ó humanidade, do frenesi da carne;
Repasto de vermes asquerosos,
E volve os olhos de ver, para dentro de ti,
A fim de ouvires divinal aconselhamento anímico.
Assim, e só assim, poderás recriar gerações,
Dignas de vivências angelicais.
Não, não desejo que elas venham a ser assim como eu;
Elo de uma geração que já está chegando ao fim
De um começo incerto!

terça-feira, maio 30, 2006

Espelho da minha vida

Espelho da minha vida
Onde miro o meu semblante
Por que refletes como antes
A minha imagem sofrida?

Bem ou mal corri a estrada
Da vida até ao final,
Chegando aqui, a final
Sem os meus, gente finada...

Será que valeu a pena
Ser criança, infante, idoso,
No rodamoinho maldoso
Do tempo que me acena?

Meus olhos quase sem vida
Viram coisas boas, más,
Desde Santo a satanás;
Gente alegre ou padecida!

O meu andar sem reflexo
Deambulou comedido
Mas, hoje, comprometido,
À deriva, anda sem nexo...

Espelho repugnante
Sou farrapo que transformas,
Acaso, mediante normas,
Deveras, tão aviltantes?

EXIJO, deixa marcado,
Na face deste teu aço
O que fiz e ainda faço
Aos jovens interessados

Ó, já fui começo e fim
Hoje do fim sou começo
Das obras que ainda teço
Às gerações após mim...

À juventude que enceta,
Rumo a obras consagradas,
Decisiva caminhada,
Deixo inacabadas metas

Concluas pela razão
Aliada a experiência,
Juntamente com a ciência
E o aval do coração!

Espelho da minha vida
Minha alma esclarecida
Deu-me, agora, compreensão:

Pois em ti não mais me vejo,
Como último desejo,
Vou p’ra oura dimensão!

segunda-feira, maio 29, 2006

Franco e honesto

É o que sou, aliás, ou penso que sou...
Hoje, de manhã, levantei-me bem humorado.
Mas, de repente, ao ver-me no espelho,
Estupefato, notei que não era eu?!
A barba, que há pouco eu havia escanhoado,
Revelara-me rugas e cicatrizes profundas,
Provenientes do tempo de implacável cobrança.
Outras, mais, arqueadas ao lado da boca,
Tal qual esgares de reprovações contínuas,
De sorrisos, simplesmente, irônicos,
Fizeram-me reavaliar comportamentos escusos..

E daí, a clássica indagação: Quem não os tem?
A bem da verdade será que somos um terço do que pensamos ser?
Pois bem, olhe no espelho e faça esta pergunta a ele.
Como resposta, algo impressionante acontecerá:
O espelho, os teus olhos, ou ambos, ficarão embaçados!!!

quinta-feira, maio 25, 2006

Confidências

Ao telefone uma voz sentida
Ansiosamente quer dialogar
É uma jovem carente, sofrida
No mar da vida, tristonha a vogar

"Alô, desculpe se lhe roubo o sono:
É a solidão cruel que me devora
A alma triste, em sádico abandono,
Por um amor que adorei outrora"

Informações, soluços, confidências,
Negro painel do seu terríivel drama
Desperta, em mim, velada compaixão

E assim, devido a minha impaciência
Peço-lhe, então, pra desfazer a trama
Urgente audiência ao seu coração...

DESEJO

Desejo de observar, com invulgar interesse
Tuas lindas coxas, cor de rosas
Quando te abaixas para catar algo...

Desejo de burilar, qual dedos de exímio pianista
A bicetriz, sob o monte de vênus
Da tua imaculada zona pubiana.

Desejo de penetrar, vagarosamente,
O meu pingente de diamante,
Para despertar o ponto G
Nas profundezas da tua caixinha de segredos!

Hino ao NACLIP

Núcleo radiante, de arte e cultura
Do esplendoroso litoral paulista
Facho de luz, policromia pura
És tu, "Naclip", berço de artistas

O teu estandarte azul, vermelho e branco,
Dourado luzente, beleza real,
Reflete as chamas em volta dos flancos
Tal qual sete artes na piramidal...

Da tua canção que o farfalhar entoa
A reverberar em tuas fibras mil
Ouço pasmado algo que o som reboa
Como que a dizer, "unâmo-nos Brasil"

Ao relembrarte os indecisos passos
De outrora e, agora, esta postura audaz
Eu quero envolverte com um forte laço,
Qual um terno abraço que não se desfaz!

quarta-feira, maio 24, 2006

FULGISTO

Tu surgiste em minha vida
Com varinha de condão
Reacendendo, querida
Meu foguinho de paixão

Às vezes penso, contrito
Nessa velada conquista,
Qual brasas sob fulgisto,
Ocultas de nossas vistas...

Mas se depender de mim
Tenho fé que vai dar certo
Este romane zaz-traz

Pois, das brasas sopro as cinzas
E o braseiro, a descoberto,
Em chamas o resto faz!...

terça-feira, maio 23, 2006

Saudação à Bandeira

Bandeira da minha terra
Pavilhão do meu País
Estou deveras feliz
Por tudo que em ti se encerra: Fragor de renhidas guerras,
Com drapejar sempre audaz
Pendão que nos folhos traz
As marcas de tantas glórias
Traduzidas em vitórias
Sacrário de amor e paz

Teu manto puro e sagrado
Nos evoca à oração,
Com carinho e devoção
De povo conscientizado.
E o cruzeiro refulgente,
Num reluzir permanente
Nos impele a conclamar
“Avante, ó brasileiros"
Não deixem que forasteiros
Venham teu brilho ofuscar...”

Cantemos, pois, o teu hino
Com emoção e louvores
Nas vozes cheias de amores
Ao retratar-te o destino,
Nas campos, ruas e lares.
Bandeira do meu País
Por ti morrerei feliz
Se algum dia precisares!

segunda-feira, maio 22, 2006

Vicente de Carvalho

Em sã consciência, um verdadeiro artista
Jamais deixaria que o vate santista,
Alheio ao mar, que sempre versejou

Fosse arrebatado de quem sempre amou!

Então, num repente, algo me entristece
E um quê de repúdio me aguilhoa o peito:
É a dor, com certeza, por falha inconteste
De alguém que tentara prestar-lhe tal preito...

Pois, ali me deparo co'o metre amado
Bronzeada escultura “DE COSTAS P’RO MAR”,
ladeando sereias, imortalizado,
Porém, cabisbaixo, com mágoa no alhar!...

Ginete dos mares é assim que o vejo
Montando hipocampos de pélago fundo
Garboso mancebo é assim que o concebo
Protegendo as faunas dos mares do mundo!

Ouvindo nos búzios maviosos corais,
Vogando nas conchas com belas ondinas
Versejando odes, cumprindo sua sina
É assim que o vejo, vencendo abissais!

sexta-feira, maio 19, 2006

Buenos Aires, adeus...

Braços abertos
Aos pés do colosso porta-mar,
Encimado por gracioso canitar
(Diadema glacial)
Dos andes milenares,
Não há quem resista à tua beleza,
Oh, preciosa jóia sulamericana!

Na policromia da tua passarela
Onde guapos varões e gentis donzelas
Desfilam a cantar Gardel,
Quero também deixar as marcas indeléveis
Dos meus indecisos rastros,
Para que saibas que um belo dia
Por aqui passou um arremedo de poeta,
Mas, um verdadeiro fã que te amou à primeira vista
"Mi Buenos Aires querida"

quinta-feira, maio 18, 2006

Carnaval

Tríduo momesco
Entrudo grotesco
Poluição mental
Explícito bacanal
Depravação total...

Carnaval
Perversão, distruição
Desamores, horrores
Orgias, desarmonias
Lágrimas tardias!

Carnaval
Pseudo euforia
Curtição sem peias
Reação que encadeia
Mil picos nas veias

Carnaval
Abismo de ais
Obra de satanaz
Tristeza do Pai!

quarta-feira, maio 17, 2006

Baía Santista


Baía santista espelho irisado
Qual jóia esfuziante, diamante real
Não há quem resista, olhar encantado,
Teu corpo molhado beldade imortal

De dia refletes um brilho radiante
De sol dardejante em teu seio a bailar
À noite o teu bojo de luar brilhante
Convida os amantes a te reverenciar

Exaltam-te vates, artistas, pintores
Com justos louvores e muita emoção
Oh, linda princesa de muitos amores
Por ti também vibra o meu coração

Pois, quisera fossem todos contemplados,
Viver ao teu lado, pasmados como eu
Baía santista, espelho incrustado,
Golfo abençoado pelas mãos de Deus!

terça-feira, maio 16, 2006

Bodas de Rubi


Não era sonho quando a vi, um dia,
Qual dócil fada, passar junto a mim
Pois, nesse dia percebi que havia
Intensa chama de paixão sem fim

Outrora, jovem de olhar faceiro
Agora adulta, mãe esplendorosa
Que o mais santo Pai dos jardineiros
Fez-te tão bela quanto uma rosa!

Foram-se os dias, meses, tantos anos
De alegria e de sofrimentos
Que sempre juntos nós compartilhamos

Isso, querida, só nos foi possível
Pela promessa feita em casamento
E mais, ainda, porque nos amamos!

quinta-feira, maio 11, 2006

MARISA

Os sete mares singrei
Em todos me aportei
Em cada um eu deixei
Mulheres que tanto amei..

Mas, de paixão que escravisa
Por uma só me gamei
Seu nome que não falei
Digo agora, é MARISA!

quarta-feira, maio 10, 2006

Porto Santista

Porto meu, porto santista
Porto ponto do turistas
Do mundo, pela grandeza
És, com louvor, realeza
E com justiça, aclamado
“Pujança do nosso estado”

Santista sou, orgulhoso
Ao ver-te, assim, majestoso
Meu bravo povo, abrigar
Notar sorriso no rosto
Descontraído e disposto
Por ter onde trabalhar...

Rente a ti, no estuário
Qual bendito santuário
Entra e sai riquezas mil
Oh, meu porto brasileiro
Conhecido no estrangeiro
“O gigante do Brasil”

Do Monte Serrat eu clamo
Ao meu Deus que tanto amo
A divina proteção
A ti, às praias morenas
Com seu jardim de falenas
A Santos, minha paixão!

quinta-feira, maio 04, 2006

GNOMO

Eu sou um gnomo, guardião da mata
Amante do verde, das selvas gerais
No meu peito vibra os sons da floresta
Fazendo-me festa, por sermos iguais...

Meu corpo pequeno é clorofilado
Nas veias carrego a seiva vital
Portanto sou gênio, gnomo abençoado
Defensor da planta, inimigo do mal

Se és, realmente, um sêr ilibado
Desdenha o machado, mortífero algoz
E toma assento depressa ao meu lado

Não deixa que a sanha da gente feroz
Destrua sementes, florestas, cerrados
Essência da vida, para todos nós!