domingo, março 12, 2006

Papoula

Destruidora qual ofídio peçonhento
Mas portentosa como a rosa sobre haste
A flor-papoula, camaleão de tal evento
É tão grandiosa muito mais pelo contraste

Por entre pétalas em riste para a luz
Resplande o cálice bojudo, virulento
Intumescido pelo ópio que produz
Maldita praga a cumprir o seu intento

O seu poder é tão intenso sobre o incauto
Quanto a mil drogas geradoras de ilusões
Irreversível e de funesta conseqüência

E a pobre vítima tomada de assalto
Destrói-se toda e os outros corações
Acorrentada nos grilhões da dependência
!

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