sexta-feira, outubro 27, 2006

SEMENTINHA

Como jardineiro, por opção, sempre soube zelar pelo nosso lindo canteiro de flores, até vê-las crescerem viçosas e perfumadas. Eram apenas três, que valiam por um floral. Não obstante o enorme trabalho que nos davam, certo dia tivemos que cuidar de mais uma?!
Acredito, foi um presente divino! Quando soou a campainha fui atender à porta. Era uma jovem que trazia no olhar mortiço, um quê de velado desespero... Sem rodeios, simplesmente estendeu-me as mãozinhas, em conchas, e depositou nas minhas uma minúscula caixinha. Naquele momento, tão solene para ela, uma lágrima de agradecimento marcou-lhe a face padecida, enquanto, cabisbaixo, se afastava com suspiros entrecortados...
Ainda meio encabulado pelo inusitado fato, sentei-me no sofá e cuidadosamente abri a caixinha. Dentro havia um bilhete envolto numa semente. Retirei e li o bilhetinho: ”Esta sementinha, há de lhe dar muita alegria. Deus lhe pague”. A partir daquele momento, plantei-a no canteiro do meu coração, junto aos demais.
Hoje, esse abençoado quarteto é a razão da nossa existência. Como velho e alquebrado jardineiro, deixei de semear. Mas, nunca, nunca de exalar o inebriante perfume desses queridos anjinhos.
MORITINHA, sementinha que Deus nos enviou por último, OBRIGADO POR TUDO!!!

segunda-feira, agosto 28, 2006

TALVEZ....

Rostinhos juntos, espremidos, numa só janela da sala do apartamento; olhares curiosos com o que se passava lá embaixo, no pátio interno da quadra 209 sul, era o prenúncio de contumaz inquirição: “venha ver nossos amiguinhos, papai... Lá vão eles, todos os fins de semana, passar o dia nos clubes” E rematavam “ E nós, papai, por que não vamos, também?
Eu havia sido transferido para Brasília, capital federal, há pouco tempo, e não me tinha dado conta de que o Clube do Exército era uma das poucas opção de lazer para nós militares! Alguns companheiros de farda tinham seus próprios apartamentos e chácaras, adquiridos há algum tempo, com certas facilidades, como prêmio por terem sido pioneiros do local...
Todas as segundas-feiras, nos folguedos do recreio, os alunos comentavam sobre as peripécias do fim de semana, para martírio dos meus filhos que tudo ouvia com uma pontinha de inveja no coração!
Na verdade, eles não entendiam o porquê da nossa garagem estar sendo ocupada pelo carro do vizinho, que tinha dois, enquanto nós não tínhamos nenhum! E sempre que me questionavam a respeito, eu simplesmente respondia com um evasivo “talvez”.
O fato é que eu não podia dar esperanças por algo que no momento era absolutamente impossível. O “talvez” agia como uma válvula de escape às minhas respostas evasivas.

Era como se eu afirmasse que um dia chegaria a nossa vez de conseguirmos um lugarzinho ao sol...
Eu e minha mulher, jamais queríamos que nossas crianças soubessem da dificuldade financeira pela qual passávamos.
Ao saírem da janela, acabrunhados e cabisbaixos, iam direto à cozinha questionar a mãe sobre a minha falta de compreensão, já que seus amiguinhos sempre indagavam sobre suas ausências!
Nesse ínterim, era a minha vez de, furtivamente, dar uma ligeira espiada pela janela.
Realmente doía-me o coração ao ver aquela criançada, aboletada nas caminhonetas e carros, onde até os cães também disputavam um lugarzinho junto aos seus inseparáveis donos, enquanto os meus filhos se lastimavam no quarto ao ouvir aquela algazarra, misturada a ruídos de motores e toques intermitentes de buzinas! Certamente, mais um fim de semana de lazer já estava acontecendo!...
Porém, sempre confiante em Deus, acreditei que um dia as coisas também iriam melhorar para nós. E foi o que realmente aconteceu: resolvi os meus problemas com os bancos, hospitais farmácias e agiotas... Finalmente, comprei uma Brasília amarelinha, com pequena entrada e módicas prestações.
Agora sim podíamos acompanhar o pessoal nos fins de semana, não mais como caronas!
Certa vez, um dos meus filhos observou que eu dirigia perigosamente enquanto tentava espanar algumas lágrimas que me embaçavam a visão: sua voz em tom preocupante sobressaiu à cantoria e ecoou nas entranhas da minh'alma; então, como resposta, apenas sorri.

Afinal, uma emoção forte, acompanhada de dóceis e mornas lágrimas, também pode chamar-se FELICIDADE!


Conto de João Bueno

quarta-feira, agosto 23, 2006

Natal!!!

Natal
Confraternização universal
Data magna,
Festiva,
Nascimento de Jesus!

Natal
Árvore ornamentada
Pisca-pisca iluminando presentes
Missa do galo, sermão veemente
Jantar, opíparas iguarias
Reverência ao Senhor
Alegria,
Aleluia!

quarta-feira, agosto 09, 2006

XADREZ

Maravilhoso é o xadrez, jogo-ciência
Onde dois cérebros labutam, mentalmente
Ambos em busca da vitória, sutilmente
Que imprescinde, sobre tudo à inteligência

Peões-infantes digladiam nos escaques
Com o apoio da fiel cavalaria
Enquanto os bispos, capitães de tal porfia
Mais torres, damas, não permitem haja escape

E na sortida, brada o rei, já vitorioso
Um ultimato antes da carga final,
Ao inimigo ainda crente num empate

Triste ilusão que logo após se desvanece
Diante de um cheque-mate, lance terminal,
Que até o campo de batalha estremece!!!

terça-feira, agosto 01, 2006

NILZA

Nilza
Oh nome que inspira
O meu coração carente
A implorar o teu amor

Nilza
Eu quero teu carinho
Para que um dia meu ninho
Venha a reflorescer

Nilza
Oh mulher que tanto quero
E de paixão te venero
Não me negues teu amor

Nilza
Por favor
Sou eu que te proclamo
Juro por Deus que te amo
Vem tirar a minha dor.

segunda-feira, julho 24, 2006

Último Aniversário

Aniversário, corrente da vida,
Com seu declive e tenaz subida
É um elo a mais, data natalícia,
Na dúbia estrada do bem e malícia

Aniversário, marco de existência.
A cada ano, parcela somada,
Cujo trajeto vige a competência,
E se tropeça, séria derrocada!

Assim, o homem caminhando, exausto,
No tempo ingrato não percebe nada
Do que o dito agora lhe prepara.

E quando chega ao fim da estrada,
Vislumbra um vulto negro, encapuzado,
Que lhe informa: TEMPO TERMINADO!

quinta-feira, junho 29, 2006

Destino

- Você fuma?
- Não
- Bebe?
-Também, não... e você?
-Eu fumo e bebo, mancebo...
-Lamento muito, companheiro
Além de queimar dinheiro,
Lá se vai você junto,
Nas condições de defunto!

Dito isso, o abstêmio
Despediu-se do viciado
E saiu logo, de fino,
Sem contar com o destino
Ao entrar na avenida,
Terminal da sua vida:

De repente, uma batida!
Dois caminhões na avenida
O primeiro, de cigarros
O segundo, de bebidas
E no meio, já sem vida
O cara que não fumava
E , o álcool, detestava?!

sexta-feira, junho 23, 2006

Memorial

Ó memorial luzente
Do seio brotas torrentes,
Centelhas de amor e paz,
Dos teus lóculos silentes
Um aroma envolvente
Nos embriaga ainda mais.

A Necrópole Ecumênica
Inserida no teu bojo
Faz de ti um santuário
Aos nossos entes queridos
Que eternamente assistidos
São isentos do calvário...


Ah, se o meu Deus me desse
O dom de poetizar,
Para melhor te exalta

Declamaria, em preces
Às orações que mereces
Por nossos mortos guardar!

quinta-feira, junho 22, 2006

Dúvida filial

Perdeste o lindo porte de donzela
E os passos tão seguros de outrora
O Tempo encheu-te o corpo de maselas
E neve os teus cabelos de senhora...

Teu ventre minha mãe foi a guarida
Ao feto desse filho, hoje adulto
Os braços segurança à minha vida
A fala ensinamento a um ser inculto

Agora homem feito e já bem-posto
Lamento às minhas faltas, vil pecado
Inscritas nas mil rugas do teu rosto
E fibras desse coração magoado

Quisera nunca ter te ofendido
Melhor seria, ó mãe, para nós dois
Será que adiantou eu ter nascido
Para roubar-te a paz, logo depois?!

quarta-feira, junho 21, 2006

Brasília

De um sonho vindo do alto
Surgiste formosa, dengosa, real
No seio desse planalto
Coberto de asfalto
Linda capital

Hoje, menina dos olhos
Do mundo encantado
És obra de Deus
A proteger nos refolhos
De ouro encrustado
Todos os filhos teus

Brasília
Polo radiante, coração do meu Brasil
Brasília
Jóia brilhante, sob um ceu azul-anil
Brasília
Dócil raínha, lábios rubros de carmim
Brasília
Te amarei até o fim!

segunda-feira, junho 19, 2006

Perdido de Amor

Hoje, estou perdido de amor
Meu coração em esplendor
Abre o regaço para ti

Hoje, eu vivo só pra te amar,
Tudo de mim quero te dar,
Até minh’alma em frenesi

Hoje, eu sinto o mundo me invadir
Cada segundo é um sentir
De emoções sensacionais

Hoje, porque voltaste aos braços meus.
E agora juntos tu e eu,
Separação, nunca, jamais!

sexta-feira, junho 16, 2006

Luar sem Amor

Lua cheia
Que clareia
Lindo deixa tudo!

No entanto,
Desencanto.
Noite bela.
ONDE ESTA ELA ?!...

quarta-feira, junho 14, 2006

HINO à APEBS - Associação de Poetas e Escritores da Baixada Santista

Bandeira da minha APEBS
APEBS que eu vi nascer
No teu âmago recebes
Os menestréis do saber.

Tua cor verde-esmeralda
Junto ao branco da pureza
Drapeja quando desfraldas
Com graça e singeleza.

A lua em ti nascendo
A pena dos escritores
São artistas escrevendo
Lindos versos de amores

Bandeira da minha APEBS
APEBS que eu vi crescer
Ao tremular tu concebes
Poetas p’ra te querer

sábado, junho 10, 2006

Jogo de Damas

Jogo de damas, imprescinde à inteligência.
Seus praticantes se intitulam de DAMISTAS
Mas só àqueles que estudam essa ciência,
Tornam-se mestres, excepcionais artistas.

Do tabuleiro faz-se um campo de batalha.
Dos combatentes, as pedrinhas coloridas,
Sob o comando, para que não haja falha,
De duas mentes, em porfia, a mais renhida.

Jogo de damas se parece com a vida
Cujo princípio, meio e fim nessa jornada,
É susceptível de fracasso ou de glória.

Conforme o empenho que se empresta na jogada
Mesmo no meio, no final ou na saída,
É que se perde ou se chega à vitória!

quinta-feira, junho 08, 2006

INTENTONA COMUNISTA DE 1935

Dormem tranqüilos filhos brasileiros
Encenando um ato, um quê de inocência
Sem desconfiar da torpe violência
De irmãos insanos, cruéis bandoleiros.

Sonham alegres, sonhos tão diversos,
Que pelos gestos tento interpretá-los
Como se os corpos quisessem expressá-los
Em sutis poemas de eloqüentes versos:

Oh, este sorrindo estende fortes braços,
Aquele, ao lado, ensaia beijos ternos,
Outro, acolá, com modos paternos,
Acolhe o filhinho em morno regaço!

A noitinha desce, há nimbos pesados,
Mortal cortinado de um breu agourento,
Prenúncio de avanço, em tempo marcado,
Que os vis celerados aguardam atentos

Nem mesmo o gemido cortante do vento
Consegue uma trégua à luta traiçoeira
Torpe espetáculo, amaldiçoado evento,
Irmãos contra irmãos, da mesma bandeira!

- Parai profanos, miseráveis Judas,
Por que agis com tanta fúria assim
Esqueces do exemplo deixado por mim,
“A todo amor, aos fracos, ajuda?”

E os desgraçados de almas perdidas,
Satânicos risos, esgares nervosos,
A “VOZ” já nem ouvem, moucos criminosos,
Carrascos mundanos das mortes sofridas

Virulentas pragas, asquerosos vermes,
Peçonhentas cobras de botes armadas
Esgueiram ruelas transpondo amuradas,
À caça impiedosa das presas inermes...

De surpresa a turba, ataque inclemente,
Elimina a todos, imediatamente,
Em sórdida luta sem adversário,
Não lhes dando chance, ato temerário...

À injusta vitória que o demo inspirou
A corja execrável das dores zombava,
Ao limpar os gumes dos sabres que entrava
Nos corpos sangrentos, morte buscou

Desprezível seja a bem da verdade,
Ó causa infame, pertinaz, ferina,
E ao que te adere, pela crueldade,
Nefasto ideal que Deus abomina

Que o sangue rubro, puro e generoso,
Dos imolados nesse triste dia
Seja uma chama, facho poderoso,
A dispersar o ódio e a tirania.

E a tua a morte, pranteado irmão,
Seja um libelo para a humanidade
E um alerta, que não seja em vão,
Aos que desejam paz e liberdade!

quarta-feira, junho 07, 2006

Antagonismo

Duas forças antagônicas.
Minha alma feliz, harmônica,
Pela vontade divina
Cumpre em paz a sua sina...

Nessa lei eterna, inexorável,
Batalha eterna, irrevogável,
É que o bem e o mal labutam
Contra a inércia que refutam...

“Nem ao mar, nem tanto a terra”,
Sábia máxima que encerra
O equilíbrio da harmonia:

Pois, não fora ela, o mundo,
Por certo não existiria
Nem sequer por um segundo!

quarta-feira, maio 31, 2006

A Fala do Feto

Pára, pára, humanidade em desarmonia!
Mais do que a atração física,
Ou interesses pecaminosos,
É preciso a comunhão do abençoado amor
Entre os cônjuges!
Sem essa concepção
logo não mais existirá Humanidade verdadeiramente cristã.
Essa é a minha conclusão,
Devido a nefasta degradação!

Estou consciente disso, mesmo antes de nascer...
Sim, ouve-me com os ouvido de ouvir:
Quase um ano enclausurado neste ventre,
Já me representam séculos de angustiante expectativa!
Pois, o meu inconsciente, sensível, capta a cada instante,
As boas e as más impressões maternas...

Porém, impossibilitado de me defender de influências nefastas,
muitas vezes choro sob seus terríveis impactos.
Desapega-te, ó humanidade, do frenesi da carne;
Repasto de vermes asquerosos,
E volve os olhos de ver, para dentro de ti,
A fim de ouvires divinal aconselhamento anímico.
Assim, e só assim, poderás recriar gerações,
Dignas de vivências angelicais.
Não, não desejo que elas venham a ser assim como eu;
Elo de uma geração que já está chegando ao fim
De um começo incerto!

terça-feira, maio 30, 2006

Espelho da minha vida

Espelho da minha vida
Onde miro o meu semblante
Por que refletes como antes
A minha imagem sofrida?

Bem ou mal corri a estrada
Da vida até ao final,
Chegando aqui, a final
Sem os meus, gente finada...

Será que valeu a pena
Ser criança, infante, idoso,
No rodamoinho maldoso
Do tempo que me acena?

Meus olhos quase sem vida
Viram coisas boas, más,
Desde Santo a satanás;
Gente alegre ou padecida!

O meu andar sem reflexo
Deambulou comedido
Mas, hoje, comprometido,
À deriva, anda sem nexo...

Espelho repugnante
Sou farrapo que transformas,
Acaso, mediante normas,
Deveras, tão aviltantes?

EXIJO, deixa marcado,
Na face deste teu aço
O que fiz e ainda faço
Aos jovens interessados

Ó, já fui começo e fim
Hoje do fim sou começo
Das obras que ainda teço
Às gerações após mim...

À juventude que enceta,
Rumo a obras consagradas,
Decisiva caminhada,
Deixo inacabadas metas

Concluas pela razão
Aliada a experiência,
Juntamente com a ciência
E o aval do coração!

Espelho da minha vida
Minha alma esclarecida
Deu-me, agora, compreensão:

Pois em ti não mais me vejo,
Como último desejo,
Vou p’ra oura dimensão!

segunda-feira, maio 29, 2006

Franco e honesto

É o que sou, aliás, ou penso que sou...
Hoje, de manhã, levantei-me bem humorado.
Mas, de repente, ao ver-me no espelho,
Estupefato, notei que não era eu?!
A barba, que há pouco eu havia escanhoado,
Revelara-me rugas e cicatrizes profundas,
Provenientes do tempo de implacável cobrança.
Outras, mais, arqueadas ao lado da boca,
Tal qual esgares de reprovações contínuas,
De sorrisos, simplesmente, irônicos,
Fizeram-me reavaliar comportamentos escusos..

E daí, a clássica indagação: Quem não os tem?
A bem da verdade será que somos um terço do que pensamos ser?
Pois bem, olhe no espelho e faça esta pergunta a ele.
Como resposta, algo impressionante acontecerá:
O espelho, os teus olhos, ou ambos, ficarão embaçados!!!

quinta-feira, maio 25, 2006

Confidências

Ao telefone uma voz sentida
Ansiosamente quer dialogar
É uma jovem carente, sofrida
No mar da vida, tristonha a vogar

"Alô, desculpe se lhe roubo o sono:
É a solidão cruel que me devora
A alma triste, em sádico abandono,
Por um amor que adorei outrora"

Informações, soluços, confidências,
Negro painel do seu terríivel drama
Desperta, em mim, velada compaixão

E assim, devido a minha impaciência
Peço-lhe, então, pra desfazer a trama
Urgente audiência ao seu coração...

DESEJO

Desejo de observar, com invulgar interesse
Tuas lindas coxas, cor de rosas
Quando te abaixas para catar algo...

Desejo de burilar, qual dedos de exímio pianista
A bicetriz, sob o monte de vênus
Da tua imaculada zona pubiana.

Desejo de penetrar, vagarosamente,
O meu pingente de diamante,
Para despertar o ponto G
Nas profundezas da tua caixinha de segredos!

Hino ao NACLIP

Núcleo radiante, de arte e cultura
Do esplendoroso litoral paulista
Facho de luz, policromia pura
És tu, "Naclip", berço de artistas

O teu estandarte azul, vermelho e branco,
Dourado luzente, beleza real,
Reflete as chamas em volta dos flancos
Tal qual sete artes na piramidal...

Da tua canção que o farfalhar entoa
A reverberar em tuas fibras mil
Ouço pasmado algo que o som reboa
Como que a dizer, "unâmo-nos Brasil"

Ao relembrarte os indecisos passos
De outrora e, agora, esta postura audaz
Eu quero envolverte com um forte laço,
Qual um terno abraço que não se desfaz!

quarta-feira, maio 24, 2006

FULGISTO

Tu surgiste em minha vida
Com varinha de condão
Reacendendo, querida
Meu foguinho de paixão

Às vezes penso, contrito
Nessa velada conquista,
Qual brasas sob fulgisto,
Ocultas de nossas vistas...

Mas se depender de mim
Tenho fé que vai dar certo
Este romane zaz-traz

Pois, das brasas sopro as cinzas
E o braseiro, a descoberto,
Em chamas o resto faz!...

terça-feira, maio 23, 2006

Saudação à Bandeira

Bandeira da minha terra
Pavilhão do meu País
Estou deveras feliz
Por tudo que em ti se encerra: Fragor de renhidas guerras,
Com drapejar sempre audaz
Pendão que nos folhos traz
As marcas de tantas glórias
Traduzidas em vitórias
Sacrário de amor e paz

Teu manto puro e sagrado
Nos evoca à oração,
Com carinho e devoção
De povo conscientizado.
E o cruzeiro refulgente,
Num reluzir permanente
Nos impele a conclamar
“Avante, ó brasileiros"
Não deixem que forasteiros
Venham teu brilho ofuscar...”

Cantemos, pois, o teu hino
Com emoção e louvores
Nas vozes cheias de amores
Ao retratar-te o destino,
Nas campos, ruas e lares.
Bandeira do meu País
Por ti morrerei feliz
Se algum dia precisares!

segunda-feira, maio 22, 2006

Vicente de Carvalho

Em sã consciência, um verdadeiro artista
Jamais deixaria que o vate santista,
Alheio ao mar, que sempre versejou

Fosse arrebatado de quem sempre amou!

Então, num repente, algo me entristece
E um quê de repúdio me aguilhoa o peito:
É a dor, com certeza, por falha inconteste
De alguém que tentara prestar-lhe tal preito...

Pois, ali me deparo co'o metre amado
Bronzeada escultura “DE COSTAS P’RO MAR”,
ladeando sereias, imortalizado,
Porém, cabisbaixo, com mágoa no alhar!...

Ginete dos mares é assim que o vejo
Montando hipocampos de pélago fundo
Garboso mancebo é assim que o concebo
Protegendo as faunas dos mares do mundo!

Ouvindo nos búzios maviosos corais,
Vogando nas conchas com belas ondinas
Versejando odes, cumprindo sua sina
É assim que o vejo, vencendo abissais!

sexta-feira, maio 19, 2006

Buenos Aires, adeus...

Braços abertos
Aos pés do colosso porta-mar,
Encimado por gracioso canitar
(Diadema glacial)
Dos andes milenares,
Não há quem resista à tua beleza,
Oh, preciosa jóia sulamericana!

Na policromia da tua passarela
Onde guapos varões e gentis donzelas
Desfilam a cantar Gardel,
Quero também deixar as marcas indeléveis
Dos meus indecisos rastros,
Para que saibas que um belo dia
Por aqui passou um arremedo de poeta,
Mas, um verdadeiro fã que te amou à primeira vista
"Mi Buenos Aires querida"

quinta-feira, maio 18, 2006

Carnaval

Tríduo momesco
Entrudo grotesco
Poluição mental
Explícito bacanal
Depravação total...

Carnaval
Perversão, distruição
Desamores, horrores
Orgias, desarmonias
Lágrimas tardias!

Carnaval
Pseudo euforia
Curtição sem peias
Reação que encadeia
Mil picos nas veias

Carnaval
Abismo de ais
Obra de satanaz
Tristeza do Pai!

quarta-feira, maio 17, 2006

Baía Santista


Baía santista espelho irisado
Qual jóia esfuziante, diamante real
Não há quem resista, olhar encantado,
Teu corpo molhado beldade imortal

De dia refletes um brilho radiante
De sol dardejante em teu seio a bailar
À noite o teu bojo de luar brilhante
Convida os amantes a te reverenciar

Exaltam-te vates, artistas, pintores
Com justos louvores e muita emoção
Oh, linda princesa de muitos amores
Por ti também vibra o meu coração

Pois, quisera fossem todos contemplados,
Viver ao teu lado, pasmados como eu
Baía santista, espelho incrustado,
Golfo abençoado pelas mãos de Deus!

terça-feira, maio 16, 2006

Bodas de Rubi


Não era sonho quando a vi, um dia,
Qual dócil fada, passar junto a mim
Pois, nesse dia percebi que havia
Intensa chama de paixão sem fim

Outrora, jovem de olhar faceiro
Agora adulta, mãe esplendorosa
Que o mais santo Pai dos jardineiros
Fez-te tão bela quanto uma rosa!

Foram-se os dias, meses, tantos anos
De alegria e de sofrimentos
Que sempre juntos nós compartilhamos

Isso, querida, só nos foi possível
Pela promessa feita em casamento
E mais, ainda, porque nos amamos!

quinta-feira, maio 11, 2006

MARISA

Os sete mares singrei
Em todos me aportei
Em cada um eu deixei
Mulheres que tanto amei..

Mas, de paixão que escravisa
Por uma só me gamei
Seu nome que não falei
Digo agora, é MARISA!

quarta-feira, maio 10, 2006

Porto Santista

Porto meu, porto santista
Porto ponto do turistas
Do mundo, pela grandeza
És, com louvor, realeza
E com justiça, aclamado
“Pujança do nosso estado”

Santista sou, orgulhoso
Ao ver-te, assim, majestoso
Meu bravo povo, abrigar
Notar sorriso no rosto
Descontraído e disposto
Por ter onde trabalhar...

Rente a ti, no estuário
Qual bendito santuário
Entra e sai riquezas mil
Oh, meu porto brasileiro
Conhecido no estrangeiro
“O gigante do Brasil”

Do Monte Serrat eu clamo
Ao meu Deus que tanto amo
A divina proteção
A ti, às praias morenas
Com seu jardim de falenas
A Santos, minha paixão!

quinta-feira, maio 04, 2006

GNOMO

Eu sou um gnomo, guardião da mata
Amante do verde, das selvas gerais
No meu peito vibra os sons da floresta
Fazendo-me festa, por sermos iguais...

Meu corpo pequeno é clorofilado
Nas veias carrego a seiva vital
Portanto sou gênio, gnomo abençoado
Defensor da planta, inimigo do mal

Se és, realmente, um sêr ilibado
Desdenha o machado, mortífero algoz
E toma assento depressa ao meu lado

Não deixa que a sanha da gente feroz
Destrua sementes, florestas, cerrados
Essência da vida, para todos nós!

quarta-feira, abril 26, 2006

Orgasmo

Dois corpos sobre a relva, interados
Movidos por gracioso sincronismo
Se entregam como eternos namorados
Dos tempos de sublime romantismo:

Aos poucos as gotinhas sudorais
Salpicam-lhes os membros deslisantes
Enquanto o libido, mais e mais
Emprestam-lhes imagens luxuriantes...

E os lábios beijam carnes, rubras, tensas
Que se transforma em ais gemidos fortes
Prenúncio de reconfortante espasmo

Nem mesmo nesse instante a própria morte
Seria tão audaz, mediante ofensas
Para inibir do ato intenso orgasmo!

Aniversário

Aniversário quer dizer um ano
Ou outros mais de vida passageira
De esperanças ou de desenganos
Ora morosa ou então ligeira

Dizem, acúmulo de experiência,
Anos vividos, dúbia caminhada
Outros entendem como decadência,
Senilidade, horas já contadas...

Mas eu, poeta, mais quintessenciado
Opino agora sobre o fato em tela,
Para pôr fim a tola discussão:

Não obstante, acho a vida bela
Se os anos idos, bem vivenciados,
Forem isentos de desilusão!

segunda-feira, abril 24, 2006

Crepúsculo Santista

Descamba a oeste, no horizonte matizado,
Bruxuleando luz violeta, o sol poente
Entardecendo o ceu santista, irisado
Macro-espetáculo, encanto de tanta gente

No estuário, um vai-vem barcos, lentamente
Cheios de sonhos, esperanças e riquezas
Enquanto estola ou se ascendem, habilmete,
A passarada, indo e vindo, com leveza

Do alto a lua espia o astro que avança
Rumo trasmonte após proeza espectral
E assim assume, noite a denro, a liderança
De amada-amante nas fímbrias celesteal...

E o mar-amigo, para abrilhantar o evento
Com seu poser de viração, irresistível
Espelha as águas da baia, que portento
Propiciando um arrebol indescritivel!

quinta-feira, abril 20, 2006

Virgem Maria

Do corpo esbelto da feliz donzela
Formas radiantes se avultando vão
E ao mundo em festa algo se revela
Pela santíssima concepção!

Semente viva, um pulsar constante

No ventre-sacro do mais puro amor
Faz da futura mãezinha exultante
Bendita amante a sorrir na dor

Chegada a hora, divinal momento
Do olhar sereno que a todos seduz
Brotam gotinhas, lágrimas brilhantes

E os Anjos prestos revelam o evento:
É Nazareno, o menino Jesus,
O Prometido a ti confiado antes!

Morte

O tempo passa e com ele vai
Toda uma vida palmilhando o chão
No fim da estrada ela se esvai
Enquanto o espaço fecha-lhe o portão

São tantas vidas ignóbeis, santas
Nesse trajeto de espinho e flor
Onde se avulta o mal, e o bem encanta
Num paradoxo entre ódio e amor

O livre arbítrio é opcional:
Cada elemento é um diabo ou santo
Independente do poder supremo...

Mas só a morte mostra o terminal
Ao moribundo cérulo de espanto
Onde está Cristo ou, então, o demo!

quarta-feira, abril 19, 2006

MÃE

Se me deste à luz por dares
Simplesmente por prazeres
Te repilo com esgares
Renegando os teus poderes

Se me deixaste alhures
Compenetrada do ato
Minhas mãos jamais segures
Não te pertenço de fato

Se me honraste, contudo
E de nada me privaste
Então devo ficar mudo
Ao gesto que praticaste

Mas se repartiste o prato
Comigo e noites sofridas
Então a ti serei grato
Minha mãe, por toda vida!

quinta-feira, abril 13, 2006

DESENLACE

Não há motivo para tanto desespero
Quando se perde para a morte algum ente
Se atentarmos para o transe passageiro
E ao despertar p’ra outra vida num repente

Claro me faço para aquele tão descrente
Com argumentos próprios da filosofia:
"Tudo transforma-se, neste mundo latente
Nada se perde e também nada se cria”

Quer seja o corpo putrefato pelos vermes
Ou mesmo a alma integrada na harmonia
Ambos vibráteis são repletos de energia

E essa força, íon-etéria, não inerme
Tudo reativa como um passe de magia
Reanimando o universo até o cerne!

segunda-feira, abril 10, 2006

METAMORFOSE

Das tantas formas que a vida assume
Somente uma deixa-me extasiado
Tal a maneira como se resume
Um micro-ovo metamorfoseado:

São larvas, pupas, vermes já imagos
Tais ninfalídeos ainda eruciformes
Que há bem pouco se prestavam a estragos
E que agora encasulados dormem...

Pingenteando muros, cercas, ramas.
Dançam ao léu crisálidas brilhantes
Brincos dourados de rara beleza

E desses bojos que o olhar inflama
Lepidópteros voam, triunfantes
Cromatizando a mãe natureza!

sexta-feira, março 31, 2006

ORA BOLAS

...
Sinto vontade indizível, louca
De pôr pra fora num papel timbrado!
Mil pensamentos, antes ruminados.
Mas sufocados não me sai da boca

Contudo estanco a ponta da caneta
Sobre o papiro branco, imaculado
À espera ansiosa do que foi pensado
E que não vem agora na veneta

Passam-se as horas, nenhuma letrinha.
E a inspiração ‘inda desacordada
Em desacordo não entra na linha

Então desisto, triste, acabrunhado
Vendo, afinal, que não escrevi nada
Além de pontos, traços e bolinhas!

terça-feira, março 21, 2006

A voz dos Palmares

Sou uma Palmares, raiz africana
Da cor do azeviche, pureza da raça
Do olhar cativante, luzente, que emana
Centelhas da alma, diamante sem jaça

O fel da injustiça sorvi com pavor
No chão da senzala perdi a inocência
Enquanto no tronco, perecia em dor
Meu grande amor recusando clemência

O peito arfante silenciou meu canto
Dos lácteos seios servi vis senhores
Fiz mil cafunés, entoei acalantos
Mas nunca aos meus, marginais sonhadores...

Porém, hoje, enfim, apesar dos pesares
Esforço inaudito, eis que rompo o grilhão
De volta aos Palmares, alvo dos feitores
Reduto de escravos, sagrado bastião

Tal e qual fênix, das cinzas, renascida
Regressei da luta, em prol da igualdade
Beijando o pendão da Pátria querida,
Cantando a canção “Salve a Liberdade”

quinta-feira, março 16, 2006

BUMERANGUE

Ali no catre, o velho moribundo
Entorpecido aguarda o desenlace
Enquanto a mente rememora um mundo
De ingratidão estampada na face:

Vê-se criança, adulto, um lutador
Recorda à amada, os filhos, muitos netos
Então percebe, foi um sonhador
Ao ser tirado do precioso teto

Assim é a vida, Deus sabe o que faz
Ingratidão é um mal, um bumerangue
Cujo retorno é sempre infalível

Hoje, tão jovem, amanhã, senil
E o desgraçado pelo gesto vil
Será punido pelo próprio sangue!

terça-feira, março 14, 2006

CONFISSÃO

Te amo tanto, tu não imaginas como
Perto de ti minh’alma aflita se extasia
Por queira que tu vás eu me assomo
Enfeitiçado de paixão e alegria

Não há distância para os meus pensamentos
Que a mim me trazem à lembrança a tua imagem
Oh, deusa minha, radiante monumento
Tão verossímel, apesar de ser miragem...

Quero que saibas dessa maneira insossa
De venerar-te, ocultamente, sem alarde
Desde o momento que te vi, ainda moça
Sem que esse modo de querer fosse covarde

Em não bastando os gestos vagos desses atos
No cotidiano, através de tantos anos
Quero que o tempo se encarregue desses fatos
Para atestar que o meu querer não foi profano

E mesmo assim, se isso tudo for tão pouco
Para que ouças o clamor dos rogos meus
Faças de conta, quem te amou foi só um louco
E que aos poucos te adorando pereceu!

MULHER


Bendita seja a mulher divina
Que entre todos os seres do mundo
Resplandecente, a vida ilumina
No seu sentido mais vero e profundo

O teu direito, quanto à igualdade
Que a ti pertence pela própria essência
Se compuscarda é uma iniqüidade
Insana afronta à santa providência:

Quem perpetua nossa humanidade
Com terno amor que a todos seduz
Quem mais percorre a estrada da vida
Dando guarida a quem falte luz?

Quem mais sorri, mesmo apesar das dores
Povoando o mundo de proles sem fim?
Ó Deus, é Ela, com justos louvores
Sem mais favores, é a Mulher, sim!

domingo, março 12, 2006

Papoula

Destruidora qual ofídio peçonhento
Mas portentosa como a rosa sobre haste
A flor-papoula, camaleão de tal evento
É tão grandiosa muito mais pelo contraste

Por entre pétalas em riste para a luz
Resplande o cálice bojudo, virulento
Intumescido pelo ópio que produz
Maldita praga a cumprir o seu intento

O seu poder é tão intenso sobre o incauto
Quanto a mil drogas geradoras de ilusões
Irreversível e de funesta conseqüência

E a pobre vítima tomada de assalto
Destrói-se toda e os outros corações
Acorrentada nos grilhões da dependência
!

Terceiro Milênio


Quando o homem dominar a matéria
E tudo sublimar-se, num momento
Livre de liame, o pensamento
Fluirá sem barreira deletéria

Assim, a terra, macro-santuário
Jardim d’Anjos, aprazível recanto
Berço de luz, reduto sacrossanto
Será feliz na “ Era de Aquário”

Não haverá, jamais, nenhuma guerra
Amor e paz serão uma constante
Nos corações isentos de maldade

E da harmonia que o universo encerra
Um turbilhão de vozes, nesse instante,
Canta mil hinos de felicidade!

Lacrau

Sob os escombros o lacrau recosta
Mirando o incauto sempre distraído
Enquanto encolhe o telso sobre as costas
Para que o impulso seja mais sentido

Se não bastasse o aguilhão dorido
O escorpionídeo injeta ‘inda a peçonha
Mortal veneno dentro do ferido
Já sem sentido pela dor medonha

Contudo o artrópode bicho asqueroso
Tem algo nato, um quê de altaneiro
Que o torna digno de admiração:

Chegada à hora, ato pavoroso
Diante da morte, um golpe certeiro
Crava nas carnes o próprio ferrão!

Infinito

O tempo-espaço no infinito está inserido
Assim como esse é o próprio firmamento
E o que chamamos de finito, por exemplo,
Nada mais é do que infinito dividido...

O infinito não tem começo e nem fim
Mas só finitos, à guisa de calendário
Desses “autores” que nunca souberam, enfim.
Que esse “real” jamais passou de imaginário!

Em conseqüência, infinito é só presente
Não tem futuro nem tampouco um passado
E seus finitos são, contudo, mensuráveis

Nascer, morrer, mesmo que dure um segundo
É estar no todo, num momento formidável
Do infinito, nessa imensidão de mundo!

Ciclo D'agua

Do pé da serra o veio d’água escorre manso
Timidamente, sobre terras ressequidas
Deixando atrás de si um rastro de mil vidas
E mais além, graciosíssimo remanso

Não pára aí a sua ânsia de progresso
Pois logo encontra num declive uma saída
E assim em ínvio progredir nessa decida
Seu caudaloso manancial corre possesso

Ó como é sábia a caprichosa natureza!
Onde o equilíbrio é o fator preponderante
Inquestionável para ninguém contestar:

O rio veio lá dos mares, com certeza
Do oceano, prisco veio, muito antes
Do veio d’água que retorna ao velho mar.

Arco-íris

O arco-íris lá no céu brilhando
Prenúncio de tempo bom que vai surgir
A brisa fresca beija muitas flores
Que em mil odores põe-se a sorrir

O céu azul redoma emborcada
Sobre o arco-íris fato singular
De cuja borda pendem nuvens claras
Flocos que os anjos pairam a cantar

O sol dardeja raios de esperança
No horizonte rubro de matiz
Tudo é premissa de real bonança
Mundo-criança alegre e feliz

A terra em festa vibra em harmonia
No mar ondinas cantam madrigais
Adeus tristeza, dor, melancolia
Bem-vindo dia de amor e paz!