segunda-feira, outubro 20, 2008

O Vulcão

A vila dorme no sopé do grande monte
Tão silencioso como a neve no seu pico
Por onde gases eparzindo pelo bico
Formam fagulhas que iluminam o horizonte

Nem mesmo hoje com tanta parafernália
A ciência falha ao impedir o cataclismo
Proveniente de um inesperado cismo
A vomitar magma-rubra qual mortalha

Ferventes lavas a fluir das profundezas
Devasta tudo pela força da explosão
Deixando a vila apavorada e indefesa

Sem chance alguma do inferno escapar
Da magma-rubra, rio de desruição,
Maldita praga proveniente do vulcão!!!

sábado, outubro 04, 2008

O queijo da vovó Nilza

Recomendado pelo seu médico, devido uma avançada osteoporose, vovó Nilza passou a alimentar-se de queijo no desjejum diário.

Para não ter o trabalho de comprá-lo aos pedaços, diariamente, resolveu levá-lo inteiro. À maneira que achou para deixá-lo mais aromatizado, foi colocá-lo fora da geladeira. Obviamente, ela não se lembrou que tal procedimento aguçaria o exigente paladar dos ratos da vizinhança...

Não demorou muito para aquele cheiro característico levasse uma dúzia de roedores junto à porta da sua casa. Desnecessário é dizer que nessa altura da refrega, ela já estava morrendo de medo.

Em vista disso, sem mais demora,telefonou para a Agência Miau, pedindo socorro. Reconhecida por sua eficiência, dento de cinco minutos lá estava à disposição da apavorada vovó, um enorme gatão preto, olhos vermelhos e garras de pantera africana, que logo assumiu a incumbência de acabar com aquele fuzuê. É obvio que só pela presença do brutamontes foi o suficiente para os roedores sumirem do mapa! Porém, dois ratinhos que moravam no porão ao lado da casa da vovó, Nilza, não suportando ver o vexame pelo qual passaram os seus acovardados irmãos em queijo, resolveram acabar com a carreira do bichano cheio de panca.

Nesse ínterim, mister miau, com absoluta aprovação da sua patroa, mostrou-lhe um desenho infalível, à prova de camundongo. Contudo, para seu azar, jogou a cópia do desenho pela janela indo parar justamente defronte o porão dos ratinhos. Após estudar o plano que caiu em suas mãos em boa hora, saíram em busca de uma tesoura, tão necessária para executar o serviço. O plano engenhoso da armadilha era o seguinte: O espertalhão dormiria atrás da geladeira em cujo fecho da porta estava ligada a terrível armadilha, que conssistia num simples cordão amamarrado também no seu braço. Se alguém tentasse abrir a porta, o cordão esticaria e ele acordaria pelo puxão.... Todavia, o gatuno se esqueceu que os ratinhos tinham achado uma tesoura bem afiada para cortar o maledeto cordão. Dia seguinte, após dormir um sono tranqüilo e reparador, vovó Nilza pôs a mesa e chamou o folgado para lhe fazer companhia. Antes, porém, após elogiá-lo pelo sucesso do plano, mandou-lhe trazer o queijo.

Mais rápido que pôde, desamarrou o cordão do pulso e abriu a geladeira. Pasmo, olhar estático como que hipnotizado diante do que via, assim como a sua incrédula patroa, só acordou com uma baita vassourada no lombo! Perto daí , os ratinhos, empanturrados de queijo, mal podiam rir ao ver o desajeitado paspalhão a capengar na chuva; e ainda por cima ouvindo, mais alto do que o trovão, a voz da vovó Nilza, amaldiçoando-o até a sua última geração!